sexta-feira, 22 de março de 2013

Segredos da Praia das Camarinhas, Clara Correia - Opinião




Sinopse:
"Em plena crise sentimental e de criatividade, um escritor instala-se, temporariamente, numa pequena vila piscatória, onde não tarda a iniciar o seu novo livro, enquanto se deixa cativar por uma bela rapariga e pela simplicidade da comunidade local. Mas, à medida que começa a desconfiar das aparências, está longe de imaginar que está prestes a viver a sua mais terrível experiência...”


Opinião:

Henrique Brancal, escritor de sucesso, está a atravessar um momento conturbado da sua existência. Após o recente divórcio e de todas as alterações na sua vida inerentes a essa circunstância, Henrique vê-se a braços com uma descomunal falta de inspiração, um, chamemos-lhe, síndrome da folha em branco, precisamente na altura em que mais precisava, já que o seu último livro, ao contrário dos restantes, não estava a ter grandes vendas.
Após um almoço com a sua ex-mulher, Sofia, mal sucedido quanto aos seus intentos de re-aproximação, e de um encontro pouco usual com um personagem que o fará repensar a sua existência, o nosso H. Brancal decide, por sugestão do amigo Daniel, mudar-se temporariamente para a Praia das Camarinhas, uma pobre aldeia piscatória de gente simples e simpática. Pelo menos parte dela...
Em pouco tempo o nosso escritor reencontra-se com a inspiração perdida mas, simultaneamente, enreda-se em segredos obscuros e de consequências potencialmente perigosas (daquelas que fazem doer, não sei se estão a ver o filme).

Este romance-thriller, assim catalogado pela própria autora, inicia-se num tom cândido, polido e elegante, numa linguagem cuidada, rica, diversificada e, sem nunca perder a tal elegância, paulatinamente somos embrenhados nos Segredos mais ou menos macabros desta Praia das Camarinhas.

Quanto mais avançava na leitura mais célere era a acção e dei por mim a devorar página atrás de página e a atropelar palavras desalmadamente porque queria saber o que estaria para acontecer.
Cheguei mesmo a sentir-me fisicamente esgotado pela leitura sôfrega que levei a cabo e acabei por dizer um certo número de palavrões por tanto gostar do livro. Assim um "prostituta que deu à luz!" ou um "estas fezes são mesmo boas, pénis!".  :)

Existiu, aqui e ali, um ou outro pormenor que não foi muito do meu agrado como umas "adivinhações" do narrador ao estilo "mal podia ele imaginar que em breve se estaria a esbardalhar todo no areal" (frase não presente na obra...). Estou certo que a ideia seria adensar a curiosidade do leitor mas como a atmosfera de suspense estava, para mim, muito bem conseguida, este tipo de revelações exerceu em mim o efeito contrário ao eventualmente desejado. São, todavia, questões de pormenor e que não influem na opinião geral que tenho sobre a enorme qualidade da obra.

Em suma, posso afirmar, adorei a leitura deste pequeno mas muito interessante romace-thriller.
Clara Correia encontra-se a elaborar o seu próximo livro e mal posso esperar pela sua publicação.
Esta senhora sabe escrever, meus amigos.
Recomendo sem reservas.

Boas leituras!

12 comentários:

Paula disse...

Olá André Nuno,
Também já iniciei este livro há algum tempo, mas depois parei, porque fiquei cansada de ler tanta palavra a terminar em "mente"
Mas mais tarde vou dar mais uma oportunidade ao livro :)
Abraço

André Nuno disse...

Olá Paula,
penso que o livro merece essa segunda oportunidade, pelo menos na minha modesta opinião. :)
O enredo agarrou-me e li-o de um fôlego mas isso aplica-se, evidentemente, à minha pessoa. :)
Um abraço!

Anónimo disse...

Adorei ler este livro e partilho a sua opinião, André Nuno! Vale mesmo a pena, o tempo não é mal empregado...

André Nuno disse...

Obrigado, Anónimo/a.
Volte sempre e boas leituras. :)

CMachado disse...

Olá Andre!!
Esse tipo de livro é viciante mesmo parece que estamos a assistir um filme... ;)

Essa sensação é incrível de euforia e querer saber o que vai acontecer, já fui dormir bem tarde por conta disso!!

Abç ae

CMachado disse...

Um pouco de poesia para deixar seu final de semana mas lindo!!


Nada tão comum
que não possa chamá-lo meu

nada tão meu
que não possa dize-lo nosso

Nada tão mole
que não possa dize-lo osso

Nada tão duro
que não possa dize-lo posso

Paulo Leminsk

Maravilhoso sábado!

PS: Estou numa vibe poesia ;)

André Nuno disse...

CMachado,
foi de facto um livro que me agarrou e li muito rápido. Também eu tenho muitas noites pouco dormidas de ler livros deste tipo. Numas férias estive "lendo só mais um capítulo" até terminar o livro às 06:00 da manhã. Claro que depois dormi o dia inteiro. Numa outra ocasião foi ainda pior (ou melhor... rsrsrs) comecei lendo um livro às 18:00 e só consegui parar no final. Eram também 5 ou 6 da madrugada em dia de trabalho. Acabei ligando para a empresa dizendo que não podia ir porque não me sentia bem. E até era verdade porque estava de rastos! rsrsrs
Que belo presente vc me deixou. Obrigado pelo belo poema. Não leio muita poesia mas gosto e admiro bastante.
Um abraço, um óptimo fim de semana e boas leituras! :D

CMachado disse...

Pois eu não vivo sem uma dose diária de poesia... ;)

Então, só mais uma, adoro fazer o espaço do blog dos amigos de meu e sair colocando poema. (rsr)

Memória (Drumond)

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.

CMachado disse...

Eu sei como é as vezes damos volta nos patrões, por um bom livro vale a pena. (rsr)

André Nuno disse...

Obrigado, CMachado.
:D

nuno chaves disse...

Tinha a certeza de que irias gostar.

André Nuno disse...

Nuno,
como escrevi no teu Página adorei este livro e a escrita da Clara. Espero que a sua próxima obra mantenha ou melhore este nível.
Foi mais uma opinião em que estivemos de acordo. :)
Boas leituras!