domingo, 24 de março de 2013

O Filho de Ninguém, Olívia Darko - Opinião




Sinopse:
Justino viveu isolado do mundo os primeiros 26 anos da sua vida, tendo apenas a mãe por companhia.
Quando faz a transição para a vida em sociedade, os lapsos de memória que sempre o tinham acompanhado recomeçam, mais fortes e menos espaçados, e assaltam-no memórias de vivências que não tem a certeza de serem reais, mas que se tornam cada vez mais vívidas e perturbadoras.
A aproximação de uma mulher, Sofia, provoca um turbilhão de emoções contraditórias que o conduzem a um caminho sem retorno, e o único fim possível acaba por ser a descoberta da terrível verdade que estava enterrada no seu subconsciente.

Opinião:
Justino cresceu isolado do mundo apenas na companhia de sua mãe, Maria. Aos sete anos de idade foi inscrito na escola mas rápido a sua falta de competências sociais, de capacidade de socialização levaram-no a ser retirado do aterrador e incompreensível mundo exterior e a ser ensinado em casa, continuando desse modo a agudização do seu isolamento. Com o auxílio do Padre Carlos, que sempre esteve presente como única ajuda e companhia dos dois desterrados, Justino consegue um emprego a entregar encomendas e tudo parece estar, finalmente, a tomar o rumo da normalidade na vida do jovem.
Justino, que sempre sofreu de uns episódios de perda de memória, conhece Sofia, que está determinada em ajudá-lo a integrar-se no mundo. Os dois chegam a encontrar alguma cumplicidade mas há algo terrível prestes a acontecer...

A história inicia-se logo com um episódio sangrento que a autora nos leva a crer, de forma muito interessante, pensarmos saber o que se passou.
Existe uma personagem, Marta, que assombra a história de Justino e desta família.
Ao longo do decurso da narrativa fui levado a pensar que já sabia tudo sobre todos os personagens e que estava defronte um enredo previsível.
Confesso que uma parte do mistério, o papel do Padre Carlos na vida da nossa eremita família, consegui cedo adivinhar o porquê do seu modo de actuação. Mas estava longe de imaginar a surpresa que Olívia Darko me tinha preparado.

No final do livro existe uma carta enviada que revela o enredo na totalidade, dá-nos a conhecer tudo o que, na realidade se estava a passar com esta família, o que sucedeu com cada um dos personagens e é neste maravilhoso e muito interessante "twist" que toda a obra atinge um nível fabuloso.

Quando pensava vir aqui dar uma traulitada na previsibilidade do enredo, a autora enfiou-me um murro nas ventas e disse: "Toma! Achavas-te muito sabichão? Embrulha e põe um lacinho porque é para oferecer!"

Adorei o final do texto. Surpreendeu-me e, na minha opinião conferiu uma aura de controlo e capacidade criativa por parte da Olívia que me faz tirar-lhe o chapéu (o que nem é muito fácil porque não uso).
O meu único lamento é o pequeno tamanho do livro.

Estou bastante ansioso que a nossa autora nos regale com mais uma obra e só lhe peço que, desta feita, escreva um "calhamaço" grandioso, sangrento e que me faça sofrer ainda mais do que este, com ou sem reviravoltas.

Olívia, podes dar-me açoites destes sempre que queiras.

Recomendo.

Boas leituras!

4 comentários:

Clarinda disse...

Fiz planos para ler este livro, agora vou andar ansiosa!
Bela opinião.

Bj

André Nuno disse...

Olá Clarinda.
Penso que irás gostar. Depois comparamos opiniões. :)
Obrigado pela visita.
Boas leituras.
Bj

nuno chaves disse...

Fiquei como tu... estonteado com a leitura deste livro.... é a prova de que um grande livro e uma história bem contada, não tem que ser propriamente um livro muito grande.
Gostei muito deste pequeno livrinho e aguardo com expectativa que esta jovem autora, volte a publicar.
Foi de facto uma grande surpresa.

André Nuno disse...

Nuno,
trata-se de um excelente livro. Concordo com a tua opinião. Um grande livro não tem de ser um livro grande e na minha opinião é ainda mais difícil fazer uma grande obra em poucas páginas porque tudo tem de estar sem falhas e exige um maior domínio da escrita e do desenrolar do enredo. Também eu aguardo a próxima obra da simpatiquíssima Olivia Darko.