terça-feira, 19 de março de 2013

Alex Cross, James Patterson - Opinião




Sinopse:

Alex Cross era uma estrela em ascensão na Polícia de Washington DC quando um desconhecido assassinou a sua mulher, Maria, à sua frente.
Anos mais tarde, Alex deixou as forças de segurança e regressou à carreira de psicólogo, revelando-se um bem-sucedido escritor de livros policiais. A vida com a sua avó, Nana Mama, e os filhos Damon, Jannie e o pequeno Alex parece correr na perfeição, e o detetive admite mesmo viver um novo amor.
É nesta fase que John Sampson, o seu antigo parceiro na Polícia, lhe pede ajuda para capturar um perigoso criminoso. Cross regressa então à ação, sem saber que se prepara para enfrentar o assassino da sua própria mulher.
Tem início a busca pelo homicida mais astuto e psicótico que jamais enfrentou, que o vai empurrar perigosamente para o ponto de rutura.


Opinião:

Alex Cross é o personagem principal do livro com o mesmo título de James Patterson. Neste policial/thriller narra-se mais uma história deste personagem que é psicólogo de formação e trabalha para a polícia na resolução de crimes violentos, muitas vezes perpetrados por assassinos em série.
Cross deixa escapar um criminoso, um assassino a soldo que soma aos seus atributos, para além da frieza e astúcia, uma maldade e psicose incomparáveis e quase inqualificáveis. Para além de homicida, Michael Sullivan é violador. Para além de matar e tirar fotos dos seus troféus, gosta de cortar as suas vítimas com um bisturi. Vivas, claro.
Maria, esposa de Alex, é alvejada à sua frente, acabando por morrer nos seus braços mas o Carniceiro não estava já no país, não sendo vislumbrável quem terá cometido o crime.
Cross inicia uma cruzada contra os criminosos que lhe vale um tremendo impulso na carreira e uma fama inigualável mas a sua vida familiar torna-se num caos, o que o leva a abandonar o FBI e a voltar a exercer a sua profissão de psicólogo.
Estão lançados os dados para uma aventura emocionante que só poderá terminar mal, com muitos corpos que ficam pelo caminho...

Gostei particularmente deste livro. Embora não tenha sido a minha leitura mais emocionante e viciante, li 379 páginas quase num dia...
Para além do suspense criado na narrativa a duas caras, uma na pessoa de Alex e a outra na do Carniceiro, são abordados diversos temas muito interessantes e que nos podem fazer reflectir.

Enquanto o homicida psicótico nos parece desumano de tão cruel, com o desenrolar do enredo ficamos a saber que este foi física, sexual e psicologicamente abusado pelo seu pai. Dei por mim a percebê-lo e, morbidamente, a simpatizar com ele. Quase desejei que escapasse impune a toda a história.
Cross, no exercício da psicologia, procura ajudar uma vítima grave de violência doméstica. Está bem presente toda a dor e terror psicológico por que esta estava a passar. Quando damos por isso descobrimos que o agressor é um polícia. A solução encontrada por Alex foi muito interessante e envolveu um espancamento...
As vítimas de Sullivan que viviam para (não) contar a história das violações levadas a cabo sob ameaça de bisturi e fotos daquelas que "tinham dado com a língua nos dentes" ficam tão aterrorizadas que nem concebem contar o que quer que seja às forças da autoridade. O seu sofrimento e os danos psicológicos irreparáveis são aflorados com interesse e propriedade.
O próprio herói, quando suspeita que foi o Carniceiro que lhe matou a mãe dos seus três filhos, toma uma opção também ela polémica, embora, para mim, compreensível:  matá-lo e não levá-lo à Justiça.
A humanidade das personagens flutua como na vida real. Nem os "maus" o são sem motivo, ou pelo menos causa, nem os "bons" são santinhos e flores de estufa.

Sou um fã incondicional deste género policial/thriller que penso ser bastante e injustamente sub-valorizado. É um tipo de escrita que permite obras verdadeiramente inesquecíveis e de qualidade épica. Toda a variedade de informação, temas e enredos, épocas, classes, tipos e riqueza de personagens, emoções, e tudo aquilo que se possa imaginar pode ser incluído neste género. Não há limite para o que se pode fazer numa obra deste tipo, com o apelativo de isto poder ser feito num livro que simultaneamente cativa, apaixona, algema o leitor desde a primeira página.

Não sendo este um caso exemplar de uma obra-prima, não tenho grandes críticas a fazer. Talvez algumas descrições pudessem ter sido melhor pintadas.
Talvez algumas personagens pudessem ter um pouco mais de profundidade.
Tudo isto, todavia, são questões de pormenor e somenos importância.

Também neste caso existem mais obras deste autor, com esta personagem principal, não todas editadas em português. Não voltarei a massacrar as editoras, e sobretudo os meus leitores (porque com estes preocupo-me), com o meu ponto de vista sobre a ordem da edição dos livros.

Um bom livro que se lê de um fôlego. Recomendo.

Boas leituras.

12 comentários:

Patrícia disse...

Ando virada para os policiais (estou a ler o "A estrela do diabo" do jo Nesbo) e tenho imensa curiosidade em ler os livros do James Patterson.
Boas leituras

André Nuno disse...

Patrícia,
este foi o primeiro livro que li do autor mas gostei bastante e tenciono ler mais obras do Patterson.
Penso que irás gostar, também.

Esse livro que falas não conhecia, nem o autor - é por estas coisas que adoro a blogosfera - mas fui investigar e interessou-me imenso. Já coloquei todos os seus 4 livros em português na minha wishlist, emobora provavelmente não os adquira se encontrar muitas opiniões negativas. Posto isto a questão impõe-se: O que estás a achar até ao momento? :)
Boas leituras também para ti. :)

nuno chaves disse...

Como já te tinha dito, tenho alguma curiosidade neste livro e conto ler, deste autor, apenas li o 1º volume desta série "A conspiração da Aranha" e já o li à uns anos e lembro-me de ter gostado bastante.
Estou também curioso para ver a versão cinematográfica, com o Mathew Fox (Lost) e já sem Morgan Freeman como Alex Cross. Da apresentação que vi, gostei bastante.
Visto que a Patrícia anda numa onda de policiais (embora vá estar com ela no próximo encontro da Roda) recomendo "O Último Acto em Lisboa" que provavelmente já terá lido, do grande Robert Wilson, um livro que vale a pena ser lido. O mesmo se aplica a ti companheiro.

André Nuno disse...

Nuno,
isto hoje está a correr muito bem. :)
Já é o segundo autor que me deixa entusiasmado. Obrigado pela sugestão, amigo.
Dos títulos do Robert Wilson, a avaliar pelas sinopses, fiquei com a sensação de que Pena Capital e, sobretudo, As Mãos Desaparecidas devem ser livros muito empolgantes, talvez até mais do que o Último Acto em Lisboa. Já leste algum, Nuno?
De qualquer forma já juntei os três à wishlist.
Também penso que este filme do Cross irá ser interessante, embora não conheça o do Morgan Freeman.
Um abraço.

nuno chaves disse...

Li todos, excepto "Pena Capital"
Mas se quiseres seguir um concelho, começa, por "Último acto em Lisboa" e depois "A Companhia de Estranhos" Eu ainda tenho as edições antigas da Gradiva... são espectaculares
Deixa para depois as aventuras de Javier Falcón.
O que menos gostei foi "Assassinos Escondidos"

nuno chaves disse...

Existem 2 filmes (com este mais recente 3) baseados nos livros de Patterson e na série Cross.
Sendo que claramente o de maior sucesso é "A conspiração da Aranha" com M. Freeman.
Poderás também ter visto um filme que dava pelo titulo de "Beijos que matam" e mais recentemente este com o Mathew Fox que teve de perder 25kg. para fazer o papel de vilão.
Voltando a Wilson, esquecime de dizer na msg. anterior e visto que me falas em "Mãos desaparecidas" terás de ler do incio, pois estes sim... seguem uma ordem cronológica sendo eles:
- O Cego de Sevilha
- As Mãos Desaparecidas
- Assassinos Escondidos
- A Ignorância do Sangue

André Nuno disse...

Muito obrigado, Nuno.
Já estão todos, por ordem na listinha. :)

Patrícia disse...

André, já te deixei a minha opinião do Jo nesbo lá no blog (estou a gostar imenso) e estou com o Nuno:
O último acto em Lisboa é fabuloso e o melhor do Robert Wilson (sabem que ele viveu/vive em Portugal).
E o "uma companhia de estranhos também". Da série Javier Falcón só li o 1º (o cego de sevilha) e o 4º. Do 1º gostei imenso, do 4º nem por isso.
Oferecerem-me o "último acto em Lisboa" há muitos anos em Inglês que li e reli. Durante anos procurei-o em Português sem o encontrar e de repente está em todo o lado. Gostei tanto que até já o comprei em português para reler.
Boas leituras

André Nuno disse...

Patrícia,
obrigado pela opinião sobre o Nesbo e pela confirmação quanto ao Wilson.
Serão, sem dúvida, autores aos quais dedicarei atenção.
Obrigado aos dois. :)

nuno chaves disse...

Patrícia, quer o último Acto em Lisboa, quer o Na Companhia de estranhos já têm uns bons anos em Português. pelo menos 10 anos, que foi quando os comprei. Antes de serem publicados pela EA, eram publicados pela Gradiva.

EfeitoCris disse...

Já leste dele "private"?
Eu tenho ;)
Aliás proponho te já uma troca:
O sopro do mal pela private
e se quiseres John verdon por John verdon, já que temos títulos diferentes... se quiseres avisa

bj

by the way... vim aqui dizer que concordo muito com esta tua visão deste tipo de livros e de Patterson

boas leituras

André Nuno disse...

Cris,
Obrigado pela disponibilidade. :)

Entretanto já comprei o segundo livro do Verdon. :)

Penso que este género literário, desde que bem explorado, permite possibilidades e qualidade incomensuráveis. Patterson, pelo que pude aferir neste livro, sabe fazê-lo muito bem. :)

Será muito difícil fazermos trocas. Não porque tenha algo contra a tua pessoa (longe disso!!!) mas porque simplesmente sou demasiado agarrado aos livros para os conseguir largar. Depois de ler um livro há algo dele que fica em mim mas também há algo de mim que permanece naquelas páginas para sempre.
Podes estar a pensar que sou choné ou que bebi muita aguardente hoje mas não sou mesmo capaz de me desfazer dos livros, seja por troca, venda, aluguer, empréstimo. Não consigo, mesmo.
Sorry!! :)