quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

O Prisioneiro do Céu, Carlos Ruiz Zafón




Sinopse:
Barcelona, 1957. Daniel Sempere e o amigo Fermín, os heróis de A Sombra do Vento, regressam à aventura, para enfrentar o maior desafio das suas vidas. Quando tudo lhes começava a sorrir, uma inquietante personagem visita a livraria de Sempere e ameaça revelar um terrível segredo, enterrado há duas décadas na obscura memória da cidade. Ao conhecer a verdade, Daniel vai concluir que o seu destino o arrasta inexoravelmente a confrontar-se com a maior das sombras: a que está a crescer dentro de si.
Transbordante de intriga e de emoção, O Prisioneiro do Céu é um romance magistral, que o vai emocionar como da primeira vez, onde os fios de A Sombra do Vento e de O Jogo do Anjo convergem através do feitiço da literatura e nos conduzem ao enigma que se esconde no coração de o Cemitério dos Livros Esquecidos.



Opinião:
O penúltimo livro da série do Cemitério dos Livros Esquecidos de Carlos Ruiz Zafón é mais um exemplo da excelência e capacidade do autor em escrever livros fabulosos. 
Neste O Prisioneiro do Céu descobrimos a história do incomparável Fermín Romero de Torres, a sua estadia prisão de Montjuic, quem com ele partilhou o cárcere, a sua fuga. 
Descobrimos a existência de mais alguns personagens determinantes, do passado, presente e futuro, do jovem Daniel Sempere e sua família. Travamos conhecimento com David Martin, alguém do passado dos pais de Daniel e escritor do... Jogo do Anjo. É-nos elucidado o que aconteceu a Isabella, mãe do nosso Sempere mais novo, motivo pelo qual encontramos uma evolução neste Daniel, que começa a ser afectado por um lado mais sombrio. No final Zafón atira-nos para o desconsolo de não haver mais páginas para ler neste romance, deixa-nos com sede de continuar a beber esta história viciante e ainda consegue inundar-nos com a vontade de reler os outros volumes desta saga.

O Prisioneiro do Céu é um livro fantástico e delicioso que me deu um prazer incomensurável na sua leitura. Zafón é sem dúvida o meu escritor favorito do momento, sendo capaz de urdir a sua prosa com uma densidade, uma espessura quase corpórea e palpável que em mais nenhum autor que conheço encontro.

No ano de 2012, Marina, deste autor, foi o livro que mais gostei de ler. O Prisioneiro do Céu ocupa também, para já, a posição cimeira da minha preferência e será preciso encontrar uma obra absolutamente genial para destronar esta maravilha.

Boas leituras.

11 comentários:

Iceman disse...

André,
quer dizer então que os livros seguem uma ordem cronológica e lógica?
O Cemitério dos livros esquecidos é o primeiro?

André Nuno disse...

Iceman,
Existe de facto uma sequência cronológica e lógica.
O Prisioneiro do Céu pertence a um grupo de quatro livros com um núcleo duro de personagens comuns. Cada livro pode ser lido individualmente porque cada um tem um enredo maioritariamente independente cujos aspectos em comum não impedem uma leitura individual sem qualquer prejuízo para o seu entendimento pleno. O que acontece é que estão interligados ao nível de personagens, desenvolvimento e tema de fundo, o local Cemitério dos Livros Esquecidos marca esta série. Há evidentemente aspectos que só se pode apreciar havendo lido os livros anteriores. Existem desenvolvimentos e revelações do enredo de fundo que só fazem sentido para quem leu o que está para trás, todavia o desconhecimento do mesmo não retira magia à escrita nem impede que o leitor se sinta completo no fim de cada livro.
O primeiro foi A Sombra do Vento. O segundo, O Jogo do Anjo, O Prisioneiro do Céu é o terceiro e penúltimo.
Abraço.

Jojo disse...

Eu desejosa de pôr as minhas mãos neste! Tens razão, Záfon deixa-nos com sede de mais.

André Nuno disse...

Jojo,
Zafón tem uma escrita extraordinária.
Aguardo impaciente o próximo volume e só espero que seja grande, muito grande, em todos os sentidos!
:)

Paula disse...

Li A Sombra do Vento, mas os restantes pareceram-me "mais do mesmo" estou assim tão errada Nuno?
:P
Abraço

André Nuno disse...

Paula,
na minha opinião... sim, estás! ;)
Quando li o Jogo do Anjo houve ali qualquer coisa que me escapou e que achei demasiado "heterodoxo". A coisa não fazia todo o sentido embora tenha gostado.
Com este Prisioneiro avançamos mais no enredo, descobrimos mais sobre a família Sempere e o que os assombra. Percebemos melhor o papel dos personagens, de onde vêm e acreditamos saber para onde se dirigem no último livro. Zafón atribui a Martin, um personagem, a autoria do Jogo do Anjo e isso não só parece explicar a sua surrealidade com é, para mim, um apontamento delicioso.
Ou seja, do ponto de vista da trama e do seu desenvolvimento não te dou razão alguma. :) Já no que diz respeito ao estilo da escrita, o seu ritmo e sua côr e cheiro... sim, é bastante semelhante aos outros livros.
Para quem, como eu, saboreia com gosto a escrita de Zafón cada palavra é uma gota de néctar raro e inesquecível, cada volume é um colosso de sensações e prazer.
Mas é natural que não gostemos todos do mesmo, minha cara Paula!
Um bom exemplo disso mesmo é o Cem Anos de Solidão. Amado por muitos e odiado visceralmente por outros.
E agora quem tem razão?
Para mim, todos. :)
Obrigado por esta visita que me fizeste. Fiquei muito feliz por teres vindo. :D

Su disse...

Confirma-se: Zafón cria em muita gente um estado de habituação e ansiedade do qual é difícil recuperar. Neste ultimo dei por mim a ler frases devagar, a aproveitar cada palavrinha, cada diálogo (o bom Férmin tem sempre uma boa piada).

Boa leitura!

André Nuno disse...

Su,
Zafón é soberbo. O Prisioneiro foi um livro que acabei por ler rápido demais. Tentei, como tu, lê-lo devagar,saboreando cada palavra e frase mas quando dava por mim... lá ia eu devorando palavras sofregamente!
Obrigado por vires. :)
Boas leituras!

djamb disse...

Gostei muito deste livro, sendo que a minha parte preferida da história foi a narração da vida de Fermín Romero de Torres. Mais uma vez, o autor surpreeendeu-me com um enredo simples mas com uma riqueza extraordinária no que diz respeito aos detalhes e às personagens. Aguardo ansiosamente por mais :)
Boas leituras!

André Nuno disse...

Olá Djamb,
gostei bastante dessa parte. Conhecer a história de Fermín foi muito bom. Gostei também do adensar do enredo sobre a família Sempere, as revelações que nos foram feitas, a "sombra" que começa a inundar Daniel.
Adivinha-se um capítulo final muito interessante. Estou ansioso! :)
Boas leituras.

Susana disse...

Olá André,

Acabei de ler o teu post porque andava a procura de uma sinopse do prisioneiro do céu... Estou a começar a ler o último livro do ciclo, no qual candidamente tropecei ontem... Cada vez que vejo um livro do zafon, aproximo-me só para ter a certeza que já o li... E desta vez apercebi -me que era um novo, o último do ciclo... É só nas primeiras páginas fico já com lágrimas nos olhos da forma humana como zafon retrata os seus personagens... Cheios de medos e duvidas como nos... E já houve vontade, à semelhança de outroslivros dele, de começar a sublinhar cada vez que me confronto com mais uma frase que sintetiza algo que sinto mas que nunca tinha concretizado em palavras... E brutal...