terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Irmã, Rosamund Lupton - Opinião





Sinopse:

Quando Beatrice recebe um telefonema frenético a meio do almoço de domingo e lhe dizem que a sua irmã mais nova, Tess, desapareceu, apanha o primeiro avião de regresso a Londres. Mas quando conhece as circunstâncias que rodeiam o desaparecimento da irmã, apercebe-se, com surpresa, do pouco que sabe sobre a vida de Tess - e de que não está preparada para a terrível verdade que terá de enfrentar. A Polícia, o noivo de Beatrice e até a própria mãe aceitam ter perdido Tess, mas Beatrice recusa-se a desistir e embarca numa perigosa viagem para descobrir a verdade, a qualquer custo.



Opinião:

Irmã é o primeiro romance de Rosamund Lupton. Trata-se da história de duas irmãs em que uma delas desaparece e a outra procura descobrir o seu paradeiro, o seu destino, o que permite descobrir-se a si mesma.

A narração fica a cargo de Beatrice e, através da carta para a sua irmã desaparecida que é este romance, ficamos a conhecê-las, à sua mãe, a forma como perderam o irmão Leo, a ausência do pai, o relacionamento de Bee com Todd.
Entramos no mundo da ciência e da genética. Somos apanhados num enredo que se vai adensando à medida que o vamos conhecendo.

Enquadrado pela própria autora na categoria de policial/thriller devo dizer que encontrei algumas diferenças entre o que li e as minhas expectativas.
Esta obra foca-se bastante na vertente humana e sentimental, na profundidade do relacionamento entre irmãos, no amor fraterno e na auto-descoberta. A própria autora, numa entrevista que se encontra no fim deste livro afirma tratar-se de "uma celebração do amor fraternal".

No que diz respeito à obra e à intenção da autora, do caminho que idealizou e seguiu, não tenho críticas a apontar. De facto, como referi, estava à espera de uma outra abordagem, mais orientada para o suspense e para a trama policial mas essa expectativa, se bem que propiciada pela sinopse e opiniões sobre o livro, pertencia à esfera da minha preferência pessoal, não tendo, por isso, nada que interferir na qualificação que faço do livro. Existe um crescendo de interesse ao longo da obra que contribuiu para que conseguisse terminar esta leitura com gosto e apreciação positiva.

O facto de ter ponderado abandonar a leitura de Irmã, para além da exploração dessa vertente sentimental que a mim não diz muito, prendeu-se sobretudo com a qualidade da escrita na tradução. Por muitas vezes foi muito pobre.
Esbarrei com vírgulas onde não tinha de as ter, falta delas onde deveriam estar, frases mal construídas, inversões de ordem de palavras que não foram feitas e deveriam, na mesma frase verbos em diferentes e errados tempos verbais, a utilização do "há x tempo atrás" e ainda, ao longo de todo o romance o nunca acertar na utilização do "demais" por oposição a "de mais". A senhora tradutora que me perdoe mas, principalmente na primeira parte da obra, (ou se calhar quando o livro ganhou interesse não reparei tanto) há um sem fim de pontapés na gramática que me tiraram do sério e destruíram todo e qualquer gosto pela leitura. Foi "de mais".

Porventura uma revisão cuidada da obra por parte de quem soubesse ler e escrever com propriedade pudesse ter auxiliado na prevenção de isto ter saído para o público neste estado mas não há que desculpar um mau trabalho fazendo de conta de que este não existiu.

A minha crítica, para além de comprovável e evidente, tem o intuito de ser construtiva.
Desejo que o próximo trabalho de escrita da tradutora esteja ao nível do mínimo que se exige e de que, estou certo, a senhora também deseja e será capaz.

Em suma, gostei do livro no seu todo não havendo, para além deste reparo que é logicamente alheio à autora, nada de errado a apontar à Rosamund Lupton.

Existe já à venda um novo livro desta autora com o título Depois.

No que a mim respeita... ficará para depois.

Boas leituras a todos. :)

9 comentários:

Paula disse...

Este livro suscitou-me interesse quando saiu, porém li algures uma crítica negativa e desisti de o ler...
Mas é como dizes, a autora acaba por nem ter culpa da tradução... há que ter cuidado com as traduções e nem estou a falar só dos erros, mas ao sentido que se dá às frases e às palavras... é um risco que corremos :(

André Nuno disse...

Paula,
como já tive a oportunidade de explicitar no Facebook numa agradável troca de ideias não tenho intenção de crucificar a tradutora. Como autor de um blogue no qual partilho com outros leitores a opinião e o gosto pela leitura não poderia deixar de parte uma parte substancial do que me afectou neste livro. Seria até descredibilizador para mim mesmo vir a ser confrontado por um leitor que esbarrasse no meu silêncio e tivesse uma opinião semelhante à minha e sentisse a mesma frustração que me habitou e quase fez desistir da obra.
De facto não há atribuição de culpa à autora, como refiro.
Não posso, todavia, deixar de salientar que uma revisão cuidada deveria existir e isso seria o bastante para que o produto final fosse de maior qualidade. Precisamente porque a leitura é uma paixão que pagamos para nosso regozijo, enquanto leitor espero a mesma dose de entrega e paixão da parte de quem "me alimenta este vício da alma". Quanto mais amamos mais exigentes somos. :)
Em todo o caso, sublinho, gostei do livro.
Obrigado pelo teu comentário.
Abraço.

CMachado disse...

Olá, como vai??

Algum tempo que tenho vontade de ler esse livro...

Sobre tradução, o livro é do português de Portugal ou do Brasil??

Prefiro, com o de Portugal, acontece de ter mais erros quando é do Brasil...
Como eu queria que tivessem mais carinho com nossa língua escrita ao menos.

Concordo muito com você, nós queremos diversão e ler as palavras e as pontuações corretamente também.
É lamentável.
Cometo erros de português, por isso, mas um motivo de querer ler textos escritos corretamente.

Abç






André Nuno disse...

Olá, CMachado! Tudo bem?
Esta tradução está em Português de Portugal. (ou pelo menos a tradutora tentou que estivesse) :)
De facto pequenos erros e gralhas sempre acontecem só que neste caso foram demasiados e não poderia não falar sobre eles.
Eu por vezes também dou erros de escrita mas a diferença grande é que ninguém está pagando para ler as minhas palavras como eu e vc pagamos para ler as dos outros. Esse factor, só por si, já deveria ser o bastante para que tivessem mais algum cuidado. Veremos o que os próximos livros nos esperam.
Obrigado pela visita.
Abç e boas leituras!

CMachado disse...

Sim André,
você comentou o que eu pensei mas não escrevi no meu comentário. (rsr)
Eles ganham para isso...

O livro interessou-me também pela parte que não te chama muito a atenção."...foca-se bastante na vertente humana e sentimental, na profundidade do relacionamento entre irmãos, no amor fraterno e na auto-descoberta..." Gosto de saber do sentimento dos personagens para cada situação vivida.

Abç e
boas leituras!

PS: Ainda mais para mim que tenho 5 irmãos e pelo auto-conhecimento de mim mesma. Pode ser que eu aprecie este livrinho.

PS: Terminei recentemente Morte Súbita e gostei muito viu? Gostei pois interesso-me por política, pelo social e por acreditar que os problemas sociais interferem muito mesmo na minha família. O livro são os problemas que a sociedade atual enfrenta aliás, em todos os tempos.
Uma dica acho que vc vai gostar!

PS3: No momento estou lendo e amando A Casa das Orquídeas!!

André Nuno disse...

CMachado,
com base no que vc diz tenho a certeza de que gostará do livro! No meu caso tenho o "defeito" (brincadeira) de ser filho único... rsrsrsrs

Tive o Morte Súbita nas mãos e li algumas páginas mas confesso que não senti ligação com a escrita da Rowling. Talvez um dia mais tarde o venha ler. Para já tenho muitos livros na listinha de compras e vou começar por aí.

Ah, de facto, não o disse no outro comentário, estou a gostar muito do Roth! :) Estou lendo A Conspiração Contra a América.
Em breve teremos opinião aqui no sítio do costume!

Vc tem algum blogue?
Se tiver, gostaria muito de ler as suas opiniões aos livros que lê.

:)

CMachado disse...

Oi!
Não tenho blog, mas vc pode ver algumas resenhas no skoob, inclusive do Philip Roth.

http://www.skoob.com.br/usuario/662243

Verovsky disse...

Bem... realmente, uma excelente opinião! Esmiuçaste bem o livro. O que acontece com a Rosamund Lupton, é que este Irmã gostei (estou a falar a nível de enredo) Já o Depois, olha, desisti... demasiado parado, estava já a custar-me ler.

Beijinho, boas leituras ;)

André Nuno disse...

Vera,
ainda bem que mo dizes! Há tantos livros e tão pouco tempo que não posso estar a desperdiçar o tal tempo e dinheiro em livros que à partida já não tenho boas expectativas.
Se tu não gostas, se a Maria Magalhães não gosta, se a tradutora é a mesma (e é porque já fui ver) não considero que valha a pena perder tempo com esse Depois, nem depois nem agora. :)
Obrigado pela visita e pela ajuda!
Beijinho e boas leituras. :)