sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Pequena Abelha, Chris Cleave



Pequena Abelha de Chris Cleave é um excelente livro com um título péssimo.
Personagem principal: Abelhinha.
Título original: The Other Hand.
Não vislumbro qual a lógica desta escolha, porventura será uma insuficiência da minha parte.

Com exceção do título este é, para mim, um livro muito bom.
Trata-se da história de Abelhinha, uma refugiada nigeriana em Inglaterra. Com uma infância de horror e sofrimento consegue escapar do seu país e chega a terras de Sua Magestade... onde é presa por dois anos. Com a ajuda de uma jamaicana consegue escapar da interessante visão de integração de refugiados (que quase sempre desagua em deportação no fim da prisão) acabando por procurar refúgio junto de um casal que conheceu no seu país natal, num determinado dia em que ocorreu um episódio absolutamente determinante para todo o romance.
Com meia dúzia de personagens muito ricas e muito icónicas, Cleave consegue abranger de uma forma muito interessante toda a sociedade atual. Passa pela História da Nigéria e pelas histórias que dão corpo à nossa organização societária.
Retrata com muita exatidão o mundo de Abelhinha, o de Martha, o de Charlie, de Andrew, e Lawrence.
Somos levados a refletir sobre diversas questões importantes que pesam na sociedade como o que leva alguém a fugir do seu país, o sofrimento, a dor, as cicatrizes que ficam, de que forma o mundo "desenvolvido" os recebe, como os trata, de que modo se relaciona com os países que lhes são origem, alerta-se para a circunstância de que de certo modo, os países desenvolvidos são justamente motivadores e encorajadores de atrocidades no mundo em desenvolvimento (leia-se países muito pobres) maltratando e humilhando depois o fruto da sua própria política. Aborda-se a xenofobia, o racismo. Versa-se sobre a conduta humana deliciosa e despudoradamente.
Existem dois jornalistas, um político, uma jovem brilhante, um jovem carente e incompreendido, dois amantes, um suicídio, uma violação, uma auto-mutilação, amor, sexo, raiva, terror, morte, sofrimento e esperança.
Tudo isto nesta mão cheia de gente que vai desfilando diante dos nossos olhos.
É uma obra que nos faz pensar e refletir sem, todavia, nos forçar a nada. Somos gentilmente levados a ponderar sobre questões tão importantes sem que nos empurrem. Não nos determinam hora nem ponto de chegada.
Tudo na vida tem um fim.
Havendo chegado ao fim deste livro sinto-me bastante satisfeito por ter tido a oportunidade de conhecer o trabalho deste autor que espero explorar mais.
Aconselho sem reservas esta fantástica obra.


6 comentários:

Paula disse...

Este é um livro que tenho de reler.
Mais uma excelente leitura!

André Nuno disse...

Paula,
de facto é um grande livro. Muito bom.

Rita disse...

Olá André. :)

Esta é realmente uma obra fantástica e na tua opinião consegues retratar fielmente todos os aspectos abordados pelo escritor e as mensagens que o mesmo nos transmite. É, sem dúvida, um dos meus livros preferidos, que um dia espero reler. :)

Boas leituras.

André Nuno disse...

Olá Rita!
Obrigado pela visita. De facto é um grande livro que conheci graças a ti. :)
Boas leituras.

Patrícia disse...

Olá André.
Adorei este livro. E comparando com a vida de PI, aqui eu gostei do final, mesmo que não tenha sido o mais feliz. :)

Ainda não li mais nada do autor, mas também fiquei curiosa.
Boas leituras

André Nuno disse...

Olá Patrícia.
Também ainda não li mais nenhum livro do autor mas vem a caminho "Incendiário". Pareceu-me um livro interessante e espero que não desiluda. Existe uma obra mais recente que, na escrita de Cleave, acredito que seja um bom livro. Acontece que a temática, segundo a sinopse, parece basear-se muito nas relações humanas numa vertente sentimental e isso já não é muito a minha praia.

Neste Abelhinha também gostei do final, embora não tanto como o do Martel. Quando o Charlie se perdeu no parque pensei mesmo que seria logo aí que o pior aconteceria e tudo começaria a ruir. Embora tal não tenha sucedido desse modo, foi de facto o ponto de partida para um fim anunciado e, na minha opinião, o autor não soube (ou não quis) esconder a "desgraça" que se preparava. Por essa circunstância não fui surpreendido pelo final. E foi essa surpresa que muito contribuiu para me agradar no livro do Pi.
:)
Boas leituras!