sábado, 4 de fevereiro de 2012

Vasco Graça Moura e o desacordo ortográfico




«Vasco Graça Moura
Personagem polifacetada da vida cultural portuguesa, nasceu no Porto em 1942. Poeta, romancista, ensaísta, tradutor, foi secretário de Estado de dois Governos provisórios, desempenhou funções directivas na RTP, na Imprensa Nacional e na Comissão para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses. Em 1999, foi eleito deputado ao Parlamento Europeu. Para ele, a poesia "é uma questão de técnica e de melancolia", crescendo d' A Furiosa Paixão pelo Tangível através de uma densa rede metafórica que combina a intertextualidade, relacionada especialmente com Camões, Jorge de Sena, Dante, Shakespeare e Rilke, objectos privilegiados de estudo deste autor, e uma tendência ironicamente discursivista assente na agilidade sintáctica. É autor de três ensaios sobre Camões: Luís de Camões: Alguns Desafios (1980), Camões e a Divina Proporção (1985) e Sobre Camões, Gândavo e Outras Personagens (2000). Em 1996, a sua obra foi reunida em volume. Dos títulos deste autor, podemos salientar Concerto Campestre, os romances Quatro Últimas Canções (1987) e Meu Amor Era de Noite (2001), os livros de poesia Uma Carta no Inverno, que lhe valeu o prémio da APE, e Poemas com Pessoas (ambos de 1997). Recebeu o Prémio Pessoa em 1995 e a medalha de ouro da Comuna de Florença em 1998, ambos atribuídos à sua tradução da Divina Comédia de Dante.»


Vasco Graça Moura tomou um atitude, para mim, coerente, corajosa e louvável. Impedir a utilização deste Acordo Ortográfico poderá ser uma tarefa Dantesca mas absolutamente necessária.
Quando se escolhe alguém com o perfil de VGM não é lógico ou inteligente esperar domá-lo, ansiar que este negue tudo aquilo por que sempre batalhou.

Perante esta situação havia duas saídas:
Desautorizar VGM, o que provavelmente levaria à sua demissão.
Conferir legitimidade à sua decisão.

O Governo optou pela segunda via e já declarou, através do Sec.Estado da Cultura que o CCB só será obrigado a adoptar o novo AO ("Aborto" Ortográfico) a partir de 2014.

Espero que seja o primeiro passo para que se acabe com esta aberração de nos obrigarem a escrever numa língua artificial e ilógica.

O que pensam sobre este Acordo?
A minha opinião está clara... ;)

11 comentários:

Paula disse...

Não gosto, não o pratico.
Mas se veio para ficar, daqui a uns tempos todos temos de o adoPtar!
As minhas filhas andam na escola, a mais nova na primária, já escreve de acordo com o acordo ortográfico, a mais velha de 11 anos teve de se adaPtar!
O outro dia ouvi o director de uma revista dizer na televisão que tinha um título para sair na revista que era o seguinte "Ninguém Pára Este Vendedor" e de acordo com a nova escrita o sentido ficou diferente "Ninguém Para este Vendedor" diferente né?? Complicado!

André Nuno disse...

Paula,
parece-me que a confusão foi criada apenas na medida em que "inventaram" uma língua sem qualquer sentido.
Se estivéssemos a falar de uma evolução natural seria necessária também uma fase de adaptação mas acredito que isso não chocaria ninguém. Acontece porém que este se trata de um acordo sem outra lógica que não a mercantil, sem atender às questões da própria Língua Portuguesa, criado em laboratório por fracos cientistas de pacotilha.
Obrigado.
;)

tonsdeazul disse...

Não concordo com a atitude de VGM. Ele quis mostrar a sua rebeldia e a sua autoridade e esqueceu todo o trabalho anterior e pior esqueceu os custos e recursos utilizados para a mudança (custos estes que saíram do bolso de todos nós). A mudança irá acontecer mais cedo ou mais tarde, quer ele esteja de acordo ou não (o rei que reine no seu reino enquanto lhe é permitido) e mesmo nós temos de deixar de resistir à mudança. Os miúdos de hoje estão aprender com este acordo e este é que vai prevalecer. Não podemos confundir os nossos filhos. Temos de os acompanhar se queremos ajudá-los na educação.
Sim concordo que em certas situações não há coerência (estou agora a lembrar-me do caso do cor-de-rosa e do cor de laranja) e em outros casos dificulta a leitura (para (verbo) e para), mas não me incomoda nada ler e escrever com o novo acordo; acordo este que vem de 1990. Se formos a ver os anteriores acordos também eles tinham incoerências e algumas das regras agora aplicadas até são referentes aos anteriores acordos.
E porquê tanta polémica em relação a um acordo que foi assinado em 1990? Os defensores da língua só agora acordaram para a vida? E por agora já não ser reversível?
E os que a defendem tanto como esta sendo a língua de Camões e dos portugueses (para mim a língua é de quem a utiliza) porquê que são os primeiros a utilizá-la tão mal e pior ainda a introduzir e aceitar tantos estrangeirismos, quando existem alternativas na nossa língua?
Compreendo esta resistência, todos nós temos tendência a resistir às mudanças... Afinal aprendemos a escrever de uma forma e agora querem-nos impor um outro escrever, mas as mudanças acontecem todos os dias (para o bem ou para o mal, mas ainda bem que acontecem) e a língua também faz parte dessas mudanças.

Leitora disse...

Olá André,
Não concordo, tão simples quanto isso. Sinto que estamos a matar a nossa língua e isso torna-se revoltante.
;)

Daniel Santos disse...

Rosa das rosas e fror das frores,

dona das donas, senhor das senhores.



Rosa de beldad' e de parecer

e fror d'alegria e de prazer,

dona em mui piadosa seer,

senhor em tolher coitas e doores.

teresa dias disse...

Olá André Nuno,
Sou contra, não aplico, apoio a "rebeldia" de Vasco Graça Moura e assino todas as petições para pôr cobro a esta palhaçada do Acordo Ortográfico.
André Nuno passa pelo meu blog. Tenho lá um selo para ti.
Boa semana e boas leituras

Nuno Chaves disse...

Estamos demasiado habituados a esta forma de escrever e será com certeza difícil mudar, mas vai ter de ser.
Temos também de nos lembrar que não foi o primeiro acordo ortográfico que por cá tivemos.
Se nos lembrar-mos de como se escrevia Português no ínicio do século XX (as diferenças são enormes)o que terão dito e pensado as pesssoas que escreviam de determinada forma nessa altura (Estão a assassinar a língua!) e durante o século XX foi alterada para a forma como nós a conhecemos. Eu também não gosto talvez por estar demasiado habituado mas é a evolução normal das coisas.
Quando ao Vasco Graça Moura de quem sinceramente não sou grande fã mas reconheço-lhe mérito nas suas actividades embora no CCB apenas mudaram as moscas ou o tacho.
Nesta situação fiquei apenas com uma certeza redobrada de que o governo é medroso (merdoso) e não os tem no sítio, porque se é obrigatório para uns tem de ser obrigatóriamente para todos. e foi 2012 e não 2014 (é só uma questão de números.

André Nuno disse...

Teresa,
concordo consigo e também sou assinante desse tipo de movimentos.
Não sei se teremos força para mudar isto. ;)
Passarei concerteza no seu blogue. É já a seguir! Obrigado.

Nuno,
normalmente estaria de acordo contigo mas neste caso não sou capaz. O que concordo com o que dizes tem a ver com a natural evolução da Língua.
Acontece que esta "coisa" para além de incoerente e trapalhona não faz qualquer sentido evolutivo.
Não se trata de adoptar e tornar regra algo que todos já fazem imprimindo na lei o uso que da matéria fazem.
Trata-se de algo que alguém inventou e que todos temos de seguir independentemente do sentido que lhe reconheçamos.
Compreendo que nas escolas, organismos públicos e comunicação social, por exemplo, seja muito difícil fugir a esta imposição todavia defendo que quem com ela não concordar, e se puder, deve escrever em português de Portugal e não neste dialecto que nem sequer brasileiros e PALOP verdadeiramente adoptarão nestes moldes que nos obrigam.
E no Inglês, onde existem vastíssimas variações de pronúncia mas também de escrita não sentem a necessidade da uniformização?
A sério, what's the point?
Abraço.

djamb disse...

Eu não concordo com o acordo e não escrevo segundo o que foi ditado. A linguagem deve evoluir naturalmente e não por decreto-lei...
Boas leituras!

André Nuno disse...

Precisamente, Djamb.
Obrigado. :)

Anónimo disse...

Só existem 2 razões para se ser contra o AO90: ignorância e preguiça. E não digo mais nada. Façam como eu que pesquiso na net há mais de 2 anos sobre o assunto e tenho aprendido muito. Aliás, quando leio palavras escritas sem ser ao abrigo do acordo já as acho erros ortográficos! E são!