sábado, 18 de fevereiro de 2012

A Opereta dos Vadios, Francisco Moita Flores - Opinião



Sinopse:

Francisco Moita Flores possui uma vasta obra literária e de ficção para teatro, televisão e cinema. Depois de dois romances históricos - A Fúria das Vinhas e Mataram o Sidónio!, apresenta, agora, uma farsa política de grande actualidade, onde o humor e a ironia conduzem o leitor na estonteante caminhada de um grupo de velhos amigos que se junta e cria um partido político para concorrer às eleições.
A acção decorre depois de Portugal ter atingido a bancarrota e os seus governantes e opositores se encontrarem em permanente desvario. É neste cenário singular que surge o PUN, um jovem partido que aborda as eleições pelo lado mais absurdo e inesperado, complicando cálculos e sondagens.
A Opereta dos Vadios apresenta sequências narrativas verdadeiramente hilariantes e confirma Francisco Moita Flores como uma das vozes literárias de referência no panorama nacional 



Opinião:

A Opereta dos Vadios do prolífico opinador Francisco Moita Flores é um livro que me surpreende pela positiva.
Quando li "A Fúria das Vinhas", do mesmo autor, não fiquei totalmente satisfeito com a obra. Existiam trechos aborrecidos que me faziam visualizar a cara do autor a dizer um conjunto de frases feitas e exacerbadamente carregadas de sentimento que, confesso, me enervavam bastante.
Tinha, pois, esse preconceito à partida quando me atirei a este romance que comprei por ter considerado interessante a sinopse.

Nesta sátira o autor conseguiu fazer diferente e fazer bem. O livro é divertido, com uma temática actual e que nos deixa a pensar que muitas das cenas que encontramos como alegorias anedóticas são na prática a pura realidade portuguesa, e por esse motivo muito triste, dos "entes" que nos últimos anos têm gravitado no mundo da política e nos têm arruinado.

A Opereta dos Vadios é uma interessante fotografia da alma dos políticos onde um grupo de amigos das mais diferentes opiniões se junta para formar um novo quadro, uma nova imagem, um novo Partido: o PUN.

A viagem pelo lodaçal de uma campanha política com todos os seus subterfúgios carregados de compadrio, corrupção e podridão é muito bem conseguida, roubando-nos muitos sorrisos e algumas gargalhadas ao longo da obra.

As personagens são icónicas e bem caracterizadas, quase todas elas fotografias animadas e hilariantes de estereótipos que navegam no nosso quotidiano.
Por vezes o autor parece tangenciar o limite do preconceito para com essas figuras e o grupo que representam mas prefiro acreditar que se tratou da ousadia imposta pela sátira que este livro quis ser.

Tudo acaba com um final semi-aberto que era um bocadinho espectável mas que se impunha.

A minha avaliação a este livro é 14/20.


E vocês, o que têm lido e quais as vossas opiniões?



4 comentários:

Paula disse...

Tenho "A Fúria das Vinhas" para ler, nunca li nada do autor, vamos ver se pego neste que tenho em casa este ano.
De momento estou a ler "Queria Rever o Teu Sorriso ao Entardecer" de Pedro Sá (espero terminhar hoje) e tenciono pegar no "Nariz" de Gogol, um livro pequenino, mas que promete. Penso tb terminar o nariz amanhã :P
Vamos ver se consigo fazer isso tudo este fim de semana e escrever os respectivos comentários :P
Abraços e bom fim de semana.

André Nuno disse...

Paula,
a apreciação geral que faço ao "Fúria das Vinhas" é positiva. Apenas mencionei o pormenor que menos gostei porque era um receio que me ficou para o início desta "Opereta".
Espero que consigas cumprir os teus objectivos. :)
Na segunda-feira vou ao teu cantinho cumprir religiosamente o meu ritual semanal embora não leve nenhuma surpresa... Herança é um calhamaço com a letra bem mais pequena do que a dos seus "irmãos"... Ainda está para durar!
Abraço e bom fim-de-semana!

Nuno Chaves disse...

De Francisco Moita Flores, a única coisa que li foi "Em Memória de Albertina que Deus Haja" não foi uma leitura que me tivesse entusiammado por aí além. As critícas que tenho lido em relação a esta Opereta dos Vadios, não têm sido as melhores, a tua foi de facto a mais positiva.

André Nuno disse...

Nuno,
eu gostei... ;)
Abraço!