quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

deus não é Grande, Christopher Hitchens - Opinião


Sinopse:

Como a religião envenena tudo.
Neste eloquente debate com os crentes, Hitchens apresenta argumentos contundentes contra a religião (e a favor de uma abordagem mais laica da vida) através de uma leitura atenta e erudita dos textos religiosos mais importantes.
Hitchens conta a história pessoal dos seus encontros perigosos com a religião e descreve a sua viagem intelectual para uma visão laica da vida, baseada na ciência e na razão, na qual o Céu é substituído pela panorâmica maravilhosa que o telescópio Hubble nos proporciona do universo, e Moisés e o arbusto em chamas dão lugar à beleza e simetria da hélice dupla. "Deus não nos fez", escreve ele. "Nós fizemos Deus." Explica que a religião é uma distorção das nossas origens, da nossa natureza e do cosmos. Prejudicamos os nossos filhos - e colocamos o nosso mundo em perigo - ao doutriná-los.


Opinião:

Christopher Hitchens procura nesta obra provar conclusivamente que a utilidade da religião pertence ao passado, que os livros que a fundaram são fábulas transparentes e mal contadas, que a religião é uma imposição fabricada pelo homem, que tem sido inimiga da ciência, da investigação e, logo, da evolução humana, que tem subsistido devido a mentiras e medos tendo no passado sido cúmplice da ignorância, da culpa, da escravatura, do genocídio, do racismo e da tirania. 
Esta obra, afirma o autor, foi escrita ao longo de toda a sua vida, propondo-se a continuar a escrevê-la.
Não poderá cumprir esse desiderato uma vez que faleceu em 15 de Dezembro de 2011.

Gostei bastante de ler este livro. Este tema interessa-me muito. Sempre fui um questionador nato de tudo o que me querem impor como verdade absoluta, dogmática sem apresentar argumentos lógicos e inteligentes ou, pelo menos, que não se desfaçam ao primeiro sopro, como um baralho de cartas empilhado toscamente.

É para mim óbvio que podemos levar uma vida recta, justa e ética sem obrigações religiosas.

Podemos encontrar os nossos exemplos, a moral, parábolas, códigos de conduta, a estética, a magia, o brilhantismo, a amizade, o amor, a pureza, nas obras que grandes pensadores e escritores nos legaram.

Podemos ter os nossos momentos de interioridade, contemplação, meditação, exaltação, paixão, podemos procurar e encontrar a liberdade e a beleza numa ida à biblioteca, num almoço com os pais, numa conversa franca entre amigos verdadeiros.

Para mim é o que significa esta obra e o que de melhor posso retirar dela.

É evidente que, como qualquer livro dedicado a um tema, um manifesto de opinião, se quiserem, tem de ser lido nessa perspectiva e não como um romance que se espera apaixonante e arrebatador.
Como qualquer longo diálogo, mesmo com um nosso conhecido, existem partes que concordamos plenamente mas também outras que nos fazem olhar para o lado e pensar noutra coisa.

Gostei de ter "falado" com o Christopher Hitchens.

Não darei nota a este livro porque não o posso comparar com nenhum outro sobre o qual aqui tenha colocado opinião.
São linhas muito diversas.

Boas leituras a todos.

11 comentários:

Nuno Chaves disse...

Ora aqui está aquilo a que chamo de uma opinião clara, concreta e eficaz.
Excelente

CMachado disse...

Gostei quando dizes que em parte olhou para o lado e pensou em outra coisa...
Pois, temos de saber tudo porém:
"Certificai-vos de todas as coisas,Apegai-vos ao que é excelente." 1 Tessalonicenses 5:21
Por isso, uma dica, Vale a pena conferir: "Um Ateu garante: Deus Existe", do filósofo Antony Flew, considerado o maior ateu do século 20.
Abç
Orquidea

CMachado disse...

Em nome da religião, cometeu-se inúmeras atrocidades. Entretanto,Tudo pode ser perigoso quando levado ao extremo: a fé; a raça; a nação; o amor; o futebol; a estupidez. ... Só um ingênuo acredita, por exemplo, que o problema israelo-palestino é uma contenta religiosa entre extremistas. A história, a política e as ideologias que sacudiram o Oriente Médio (desde, pelo menos, a queda do Império Otomano) tiveram uma palavra maior.
Abç
Orquidea

André Nuno disse...

Nuno,
obrigado! ;)

Orquídea,
não vou entrar batalha pela existência de deus ou Deus ou deuses ou deusas.
Não encontraste qualquer referência a nenhum deus ou Deus na minha opinião...

O meu problema é com a religião, com a sua vacuidade e com os homens que a inventaram e deturparam ao longo dos séculos.
Não acredito em nenhuma religião.
Não as respeito o suficiente para lhes atribuir qualquer crédito.

Deus existe?
Não sei. Talvez. Não digo que não. O que te posso garantir, porém, é que o Deus que estas religiões vão moldando à medida das suas próprias necessidades e da sua "própria imagem" é uma farsa completa.
Vou mais longe.
Se Deus existir respeitará muito menos do que eu as religiões que poluem o seu nome.
Disso não tenho qualquer dúvida.

Existe na minha conduta, no seguimento da minha filosofia pessoal, uma enorme vantagem em relação à maior parte dos "crentes ortodoxos":
Como eles eu acredito que estou certo e, por isso, eles errados.

Mas MUITO ao contrário deles, eu não tento convencer ninguém. Não tento minar a fé de ninguém. Por este motivo não suporto que me tentem evangelizar, que me tentem mudar a opinião e "abrir os olhos".
Queria tanto que esses senhores e senhoras abrissem a sua mente e nunca o fazem...

Respeito tanto o meu semelhante que não tento causar a mínima perturbação na sua forma de pensar.
Só peço que tenham para comigo essa atitude... Que "me paguem na mesma moeda" se quiseres.

Bom, acho que me deixei levar pelo entusiasmo... ;)
Obrigado pelo comentário!

Cristina Torrão disse...

Um texto/opinião interessante, concordo no essencial. A questão é: estará a humanidade preparada para "levar uma vida recta, justa e ética sem obrigações religiosas"? As religiões têm essas características paradoxais: fornecem-nos um código de conduta, que, por um lado, poderão facilitar vida em comunidade. Por outro, impedem o progresso e levam a extremismos.

Concordo que tentar impor uma maneira de pensar/agir é contraproducente.

André Nuno disse...

Orquídea,
é isso mesmo. Vc me compreendeu perfeitamente. ;)

Cristina,
entendo muito bem a sua dúvida.
Mas respondo afirmativamente, ainda que com as devidas reservas, fruto do habitual receio do desconhecido.

Vou inverter a lógica para lhe responder, minha cara:
Foi a Humanidade, com as religiões, recta e justa até este momento?
O "Conhecido" apresenta um balanço tão positivo que nos imponha quietude na alma? ;)
Na minha nem por isso, confesso.

E toda esta interessantíssima troca de opiniões por causa de um livro...

Ler é absolutamente enriquecedor e maravilhoso!!

Paula disse...

No que concerne à religião, respeito quem a segue, respeito quem não a segue. Eu às vezes sigo, outras vezes não...mas muitas vezes questiono...
Acho importante ter um caminho a seguir (no que respeita aos nossos filhos) para depois optarem em seguir ou não... se não conhecerem nenhum caminho como podem depois optar?
Este é um assunto muito interessante e tem "pano para mangas" ;)

Iceman disse...

Olá André.

Bom, eu penso muito como tu e sigo também uma filosofia semelhante à tua.

Sobre a religião, enfim, confesso que não gosto muito de falar sobre religião porque isso depende da fé de cada um, no entanto e como apreciador de História, não posso deixar de mostrar desprezo pela História de TODAS as religiões e o que foi feito em nome delas.

Agora acreditar ou não em Deus é outra história. Pessoalmente não acredito, mas respeito quem acredite e não faço o minimo para convencer essa(s) pessoa(s) do contrário.

Excelente opinião!

André Nuno disse...

Paula,
apesar do meu desrespeito pelas religiões tenho o máximo respeito por aqueles que as seguem.

Compreendo a questão que levantas em relação aos filhos, confesso que ainda não decidi como fazer...

Iceman, olá.
obrigado pela tua visita e ainda mais pelo comentário.
Penso que na realidade temos uma visão aproximada sobre esta questão.
Também me custa falar/escrever sobre este assunto...

Um abraço para todos.

Rogério Soares disse...

Encarar Deus sempre foi uma parada dura. Poucos autores romperam com o silêncio sepulcral que sempre envolveu o questionamento das religiões e encararam com muita sinceridade as contradições dos discursos e da prática dos fieis. Não li ainda esse livro, mas tenho muito interesse. Conheço outro herético autor, que ver deus como mero instrumento de repressão das massas. Sugiro a leitura, caso ainda não conheça, do biólogo inglês Richard Dawkins autor de DEUS UM DELÍRIO.

André Nuno disse...

Rogério,
Assim é. Gostei bastante desta obra e penso que o meu caro também iria apreciá-la.
Dawkins é um pouco mais radical, parece-me, nem que seja na forma peremptória e sem rodeios com que faz afirmações demolidoras.
Não li o livro que sugere mas sim "A Desilusão de Deus", que claramente trata da mesma temática, aliás recorrente neste autor.
Hitchens pareceu-me mais suave embora não menos assertivo. Quase como se quisesse dizer o mesmo que Dawkins mas de modo que convide à reflexão, dando alguma margem ao leitor para "lá chegar" por si, sem sem empurrado brusca ou mesmo violentamente, que foi precisamente a sensação que me deixou o escrito de Richard Dawkins.
Obrigado pela opinião e pela sugestão!
Um abraço.