sábado, 21 de janeiro de 2012

Marina, Carlos Ruiz Zafón


Sinopse:

«Por qualquer estranha razão, sentimo-nos mais próximos de algumas das nossas criaturas sem sabermos explicar muito bem o porquê. De entre todos os livros que publiquei desde que comecei neste estranho ofício de romancista, lá por 1992, Marina é um dos meus favoritos.» «À medida que avançava na escrita, tudo naquela história começou a ter sabor a despedida e, quando a terminei, tive a impressão de que qualquer coisa dentro de mim, qualquer coisa que ainda hoje não sei muito bem o que era, mas de que sinto falta dia a dia, ficou ali para sempre.» Carlos Ruiz Zafón «Marina disse-me uma vez que apenas recordamos o que nunca aconteceu. Passaria uma eternidade antes que compreendesse aquelas palavras. Mas mais vale começar pelo princípio, que neste caso é o fim.» «Em Maio de 1980 desapareci do mundo durante uma semana. No espaço de sete dias e sete noites, ninguém soube do meu paradeiro.» «Não sabia então que oceano do tempo mais tarde ou mais cedo nos devolve as recordações que nele enterramos. Quinze anos mais tarde, a memória daquele dia voltou até mim. Vi aquele rapaz a vaguear por entre as brumas da estação de Francia e o nome de Marina tornou-se de novo incandescente como uma ferida fresca. «Todos temos um segredo fechado à chave nas águas-furtadas da alma. Este é o meu.»


Opinião:

Confesso que estou a ter bastante dificuldade em articular algo que seja claro para vocês que me lêem. Terminei o livro por volta da 01:00H da noite que passou e chegar ao fim deixou-me com aquela sensação de tristeza e insaciável incompletude com que os bons livros me deixam.
Tive dificuldade em adormecer e continuo bastante aparvalhado, lamento dizê-lo. Por saber seria difícil opinar em relação ao que o livro me pareceu, pensei fazê-lo só daqui a alguns dias mas por outro lado desejo muito escrever agora, enquanto as imagens, e sobretudo os sentimentos, estão à flor da pele, apesar de me toldarem o raciocínio e entorpecerem a verbalização.

Marina é um livro de Zafón. 
É uma obra forte, muito bem escrita, intensa, dura mas suave e rica. Muito rica. Apesar de não ser muito extensa, (lá estou eu com a minha mania de que os livros deveriam ter como mínimo 600 pág.),  prende-nos desde as primeiras até às últimas palavras. Devo dizer aliás que o livro tem a extensão que pode e deve ter. Não está curto nem esticado.
Marina é a narração de Óscar acerca do que lhe aconteceu no período da sua vida onde conheceu Marina,. Uma história passada na cidade de Barcelona, memórias de tempos antigos e subterrâneos e ainda uma fantástica, terrível e ensandecedora história paralela que ele, Óscar, irá com Marina descobrir e viver relacionada com... tanta coisa.

Marina é um livro de Zafón. 
Já o escrevi, sei-o bem. Todavia poderei não ter sido claro em relação ao alcance que pretendi que tivesse a afirmação. Repito-o, então:

Marina é um livro de Zafón.
Um grande livro.
Recomendo sem reservas. Não tem qualquer parte negativa.

A minha classificação: 18 valores em 20 possíveis.

Peço desculpa mas a sensação de vácuo é proporcional ao quanto gostei da obra, logo sinto-me totalmente oco.
Não consigo ser mais eloquente do que isto. 

Boas leituras. 

22 comentários:

Paula disse...

Eh lá, o livro deve ser bom :)
Depois de ler "A Sombra do Vento" não li outro do autor como já te disse. Tenho "O Jogo do Anjo" mas como li que o primeiro era melhor, resolvi deixar na prateleira. Com este comentário deixaste-me curiosa...
Em relação à sensação de vácuo quando gostamos de um livro, acontece-me o mesmo :) fico com receio de não conseguir passar aos visitantes o quanto gosto de um livro.
Abraço

Paula disse...

Agora estou a ler um bastante interessante, mas não digo qual é, pois segunda feira está próxima ;)

Nuno Chaves disse...

Lê primeiro "O Jogo do Anjo" Paula.

Nuno Chaves disse...

Foi também um livro com que simpatizei bastante
Já agora se quiseres dar uma espreitadela à minha opinião poderás fazê-lo neste Link:
http://nososlivros.wordpress.com/2010/10/28/a-estranha-historia-de-oscar-drai/
Um Abraço.

Paula disse...

Porquê Nuno??

Arame Farpado disse...

Paula,
de facto gostei imenso do livro. Já tinha lido os outros dois livros do Zafón há uns anitos e embora me recordasse da história e que tinha gostado muito, com Marina levei novamente aquele "estalo" do vazio com o acabar do livro que me recodou o quanto, na minha muito modesta e pequenina opinião, Zafón é bom escritor.
Quando classifico um livro faço-o relativamente ao gosto que senti em lê-lo e não como uma classificão da sua qualidade de valor literário, não estou a dizer se os livros são bons ou maus, estou apenas a quantificar se gostei muito, pouco ou nada. Para mim, este é um grande livro.
;P

Arame Farpado disse...

Nuno,
já lá dei uma espreitadela. É uma visão assertiva e com a objectividade que neste momento não possuo por o livro ainda "me correr nas veias". ;)

Agora vou dedicar-me ao último livro do Domingos Amaral que tenho para ler (embora tenha sido o primeiro a ser escrito.;P) para ver se arrefeço.

Inclusivamente iniciei um livro de novelas.
Não me senti capaz de conciliar os contos mais ou menos abertos do Murakami neste momento por isso optei por um linha totalmente diversa:
"Novelas do Minho", Camilo Castelo Branco...

Abraço.

Arame Farpado disse...

Com a foto do livro que estou a ler aliada aos comentários onde vou revelando os livro "paralelos" não consigo fazer grande segredo...
Mas segunda-feira lá estarei para o afirmar ao mundo através da tua magnífica janela.
E para ver que livro é esse! :)
Para a semana regresso ao trabalho, :( o tempo já não abundará como até aqui...

Abraço!

Nuno Chaves disse...

Uma boa opção...
de Domingos Amaral, li Enquanto Salazar dormia um livro do qual esperava mais.
e li em 2010, Quando Lisboa tremeu que gostei bastante mais que o anterior, principalmente do desfecho.

Arame Farpado disse...

Nuno,
relativamente a esse fim tenho uma posição ambivalente. Por um lado entendo que foi um final feliz qb e eventualmente necessário até para elevar a obra àquele grau literário onde as coisas nunca acabam totalmente bem... Espero estar a fazer-me entender, mas não quero ser muito explícito não vá algum amigo que nos lê estar interessado em ler o livro e acabar sem vontade e chateado connosco ;P
Pelo outro lado acho que o personagem merecia melhor sorte... Fiquei com pena do homem, pronto! :)

Carla M. Soares disse...

Pois, tanto comentário positivo ao Carlos Ruiz Zafón lá me venceu e comprei finalmente A Sombra do Vento. Tenho que ver em que posição hei de colocá-lo na minha pilha em eterno crescimento...
Também li Enquanto Salaz Dormia. Gostei, porque não esperava senão uma leitura animada.
Tenho planeada para breve a leitura de Quando Lisboa Tremeu mas... que pena tenho desta aversão aos finais felizes nas boas obras! Que mal tem se acabarmos um livro com um sorriso, em vez de pena da personagem, como refere Arame Farpado?

Arame Farpado disse...

Carla,
por favor não deixe de ler o livro com base no que eu disse. Sentir-me-ia de mal com a minha consciência.
Além disso, o final não é triste. É... uma questão de ler! ;P
Quanto ao A Sombra do Vento deve ser melhor, da minha parte, não arriscar palpites! Já meti a pata na poça com o Treme Treme de Lisboa, não voltarei a abrir o bico! ;)
Pronto, vá... eu colocava-a bem por cima.

Arame Farpado disse...

É verdade, nem respondi à sua reflexão.
Ao que me queria reportar, e não expliquei de todo bem, é que há escritores que consideram que um fim que não seja feliz e previsível tem mais valor.
Não tem mal nenhum um livro ter um final feliz. Somente há quem pense que um final doloroso provoca maior e porventura mais duradoura sensação ao leitor. Marca mais.
No caso do livro do Domingos Amaral a questão nem sequer se pões nesses moldes.
Bom, Carla leia mas é lá o livro e depois dê-me a sua opinião, combinado? LOL
;)

Nuno Chaves disse...

Carla tenho a ceretza absoluta que vais delirar com o livro A sombra do vento e não digo mais nada...
Quanto a "quando lisboa tremeu" tenho de subscrever o que foi dito pelo Arame Farpado... tens de ler o livro e o fim... bem o fim... tens de ler o livro também e depois poderemos conversar melhor sobre ele.

Nuno Chaves disse...

Paula... porque sim... depois quando leres o Marina entendes porquê

Carla M. Soares disse...

Já comecei A Sombra do Vento, se ler a primeira página se pode chamar "começar"... Não tarda nada estou a dar opinião, aqui ou no monster blues.
O Quando Lisboa Tremeu vai-me ser emprestado, vou ter que esperar. Diria infelizmente, mas tenho a tal pilha e tanto trabalho, que se calhar ainda bem. Quando vier, ótimo, não deixarei de ler por causa do fim!! =P

CMachado disse...

Uauuu Arame!!
Estava a querer convencer-nos com essas palavras...rsrs
A Sombra do Vento, comecei e achei magnífico já desde o início, mesmo assim parei.
Porque queria dar prioridade A Leste do Éden, agora que terminei retomarei.
Marina, certamente que vou ler!
Em A Sombra, o autor dá prioridade ao livro, autores... Merece a minha atenção!
Abç
Orquidea

Arame Farpado disse...

Orquídea,
de facto gostei mesmo muito de "Marina". Tenho a certeza que vc irá adorar a "Sombra do Vento". Quando li esse livro dei por mim devorando página atrás de página. Quando cheguei no fim fiquei meio arrependido porque achei que li depressa demais.
Não faz a mesma asneira que eu. Saboreie essa obra enquanto puder. ;)

Zélia Parreira disse...

Desde a Sombra do Vento que me sinto assim... Também acho que li depressa demais. Mas não faz mal, porque é um livro que fica connosco para sempre. Até me fez ir a Barcelona :).

André Nuno disse...

Zélia,
também acalento esse desejo de conhecer Barcelona mais de perto.
E de facto conservo "A Sombra do Vento" comigo.
Há livros que nos tocam. Os do Zafón têm esse poder sobre mim.
Obrigado pela visita! ;)

Passarinho disse...

Zafon é dos meus autores actuais preferidos. "A Sombra do Vento" foi um livro de que gostei bastante e deixou-me rendida a este senhor.
Marina é sem dúvida uma belíssima obra. Acho que intensa é certamente a palavra adequada. Confesso que fiquei aterrada em diversas partes do livro. E depois, permite-nos imaginar os cenários todos a nosso bel-prazer, que é o que me cativa nos livros. Cada pessoa interpreta o livro de maneira diferente, e por vezes, a mesma pessoa o interpreta de formas diferentes em fases diferentes.
É por isso que os livros têm uma magia que os filmes nos retiram. Os livros apelam à criatividade. Mas não é por isso que não gosto de cinema. Mas os livros... os livros são especiais.

André Nuno disse...

Passarinho,
os livros são maravilhosos... Fazem-nos viajar até mundos e sensações que nenhuma outra forma, com excepção da própria realidade, é capaz de igualar.
Zafón é um excelente escritor porque possui e explora a capacidade de nos arrecadar deste mundo.
Parece-me ainda que o autor tem uma enorme paixão pela leitura e pelos livros em si, o que lhe confere uma empatia com todos nós.
Obrigado pelo comentário! ;)