sábado, 16 de novembro de 2013

Duas Gotas de Sangue e um Corpo para a Eternidade, Carina Portugal - Opinião



"Em pleno séc. XVI, a Inquisição lavra as terras de Inglaterra. Numa aldeia remota, um inocente amarrado à fogueira amaldiçoa todos aqueles que o condenaram à morte. As suas palavras acordam os espíritos da Natureza, e as gémeas Alaina e Leanora pressentem-no. Contudo, o que poderão fazer duas curandeiras para os deter? Além disso, ambas escondem um segredo que as poderá matar ‒ o seu próprio amor."


Opinião:

Não é nada comum encontrar neste espaço opinião a contos ou noveletas, sejam eles, ou elas, individuais ou agregados em volume. Quem me é mais próximo vai já conhecendo a embirração que tenho com este género de escrita, não por princípio ter algo contra o conceito mas porque, regra geral, não sinto grande prazer com a sua leitura. Não aprecio muito aquele acabar tão depressa como começa.

Reconheço veracidade numa crítica que me foi feita no sentido de que não sei ler este tipo de publicação. Leio livros de contos como quem lê romances, tudo de enfiada, à bruta e, normalmente, acabo farto e desiludido.

- Ah, mas isso não se lê assim! Lês um conto, fazes uma pausa, vais fazer outra coisa, o amor, talvez, e depois lês mais outro. Um livro de contos é para ser consumido com regra, é para ser degustado.

Acredito piamente que sim. Daí que reconheça que não sei ler livros de contos e, por norma, prefiro não o fazer.

Terminado o intróito onde coloco a minha declaração de interesses, neste caso de embirração, com o género, faço orelhas moucas aos meus argumentos e dou por mim a ler e opinar este texto de Carina Portugal.

O enredo decorre na Inglaterra do século XVI, numa pequena aldeia que pulula de actividade, sendo uma das principais a caça às bruxas. Neste ambiente Inquisitório e cru somos apresentados a duas irmãs gémeas, as nossas personagens principais, também elas pertencentes ao hermético meio herético de conhecedoras de medicina tradicional e adoradoras da Natureza. Existem vários personagens intervenientes na acção sendo que alguns dos quais interferem de forma directa e preponderante com o rapidamente anunciado rumo narrativo. Um conto de cariz sobrenatural com umas pinceladas de tensão sexual algures pelo meio.
A partir deste ponto tudo o que possa revelar poderá prejudicar futuros leitores.

De leitura veloz e final abrupto mas não previsível devo manifestar que gostei deste conto. A escrita da Carina é competente e não desagrada. Em pouquíssimo tempo li este Duas Gotas de Sangue e Um Corpo para a Eternidade e o balanço é positivo.

Espero voltar a lê-la, mas gostaria de fazê-lo num registo onde me sinta mais habilitado para o poder apreciar e comentar com propriedade.
Aguardo, por isso, que, se isso fizer parte dos planos desta autora, que ela possa publicar um livro num outro registo, que não o dos contos, onde não me sinta como um peixe fora de água.

Resumindo e concluindo não posso deixar de recomendar esta noveleta a todos aqueles que gostam do género ou que, como eu, estão receptivos a fazerem-lhe umas incursões ocasionais.

Para quem estiver interessado deixo aqui o link onde podem fazer download gratuito desta obra da Carina Portugal:
https://www.smashwords.com/books/view/374171

Boas leituras a todos.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Indignação, Philip Roth - Opinião




Philip Roth é um escritor soberbo. Apetece-me iniciar a minha opinião deste modo.
Urge-me esclarecer de chofre que Philip Roth é um escrevedor com uma capacidade ímpar de imaginar e pintar pormenorizadamente cenários aparentemente simples mas de difícil acesso e explanação ao mais comum dos escritores.

Em Indignação o nosso autor explora a emancipação de um jovem, Marcus Messner, em particular a sua ida para a Universidade;
a transferência desse estabelecimento de ensino para um outro a milhas de distância para fugir ao pai que parece estar a perder a noção da realidade;
as peripécias, os pensamentos, as dúvidas, os medos, a coragem, as estupidezes e brilhantismos deste jovem judeu ateu numa Universidade supostamente secular mas que obriga os discentes a atender a cultos religiosos;
a divertida exploração da sexualidade por este inexperiente jovem - ainda para mais nos anos 50;
a memória da sua educação e crescimento, o trabalho com o pai no talho kosher da família, a matança dos animais de acordo com o ritual impreterível, as lâminas e o sangue;
a força da sua mãe;
a Guerra, as lâminas e o sangue;

Tudo isto com uma profundidade e realismo notáveis mas sempre sem perder uma capacidade de humor que me surpreendeu constantemente ao longo de toda a obra.
A pintura da sociedade da época plena de significado e reflexões inesgotáveis.

Tenho o hábito de dobrar um cantinho das páginas que possuem passagens que considero importantes ou, por este ou outro motivo, de um relevo substancial. Tive de me refrear um pouco porque a páginas tantas já não havia tantas páginas por dobrar como já dobradas...

Este livro foi para mim uma surpresa maravilhosa. A sua leitura fluiu escorreita e deliciosa.
Um dos melhores livros que tive o prazer de ler este ano, de uma qualidade absolutamente iniludível.

Recomendo vivamente a todos aqueles que gostam de narrativas com profundidade e alguma reflexão, embora seja perfeitamente acessível mesmo àqueles que não desfrutam tanto desse tipo de escrita.

Boas leituras a todos.

domingo, 10 de novembro de 2013

A ler: Indignação - Philip Roth



Sinopse:

Indignação é o vigésimo sétimo livro de Philip Roth, conta a história da educação do jovem Marcus Messner nas circunstâncias assustadoras e nas obstruções anómalas que a vida acarreta. 

É uma história de inexperiência, loucura, resistência intelectual, descoberta sexual, coragem e erro contada com toda a energia criativa e todo o engenho de que Roth é possuidor. 

É simultaneamente uma ruptura inesperada com as narrativas obsidiantes da velhice e suas experiências que são os seus livros mais recentes e um poderoso aditamento às investigações do autor sobre o impacto da história da América na vida do indivíduo vulnerável.


Críticas de imprensa:

«Uma parábola pós-moderna sobre as tragédias da pequena moralidade.»
José Riço Direitinho, Ler 

«Philip Roth, considerado o maior escritor americano vivo, sempre gostou de criar personagens metidas em apuros, seja por causa dos seus actos irreflectidos, estúpidos ou negligentes, seja da pressão da História ou de acontecimentos exteriores à razão e à vontade. [...] Este livro, cujo título é inspirado no hino nacional chinês (pág. 71), funciona como um protesto, de Marcus [Messner] e de todos nós. Uma arma poderosa mas nem sempre eficaz perante o absurdo do mundo.»
Helena Vasconcelos, Público

sábado, 9 de novembro de 2013

Ossos, Stephen Booth - Opinião



Inserido na categoria de policial, este livro de Stephen Booth foi a leitura que me acompanhou ao longo de quase duas semanas.
Ossos relata a busca por uma jovem desaparecida há dois anos e a resolução de um assassínio sangrento em Withens, uma pacata localidade inglesa. Os heróis são Diane Fry e Ben Cooper que, a duas mãos, nem sempre fazendo força na mesma direcção, vão fazendo os possíveis para desvendar os mistérios que se desenrolam.

A narrativa decorre num ritmo por vezes bastante lento. Várias são as abordagens e temáticas que o autor vai explorando e que fazem com que a acção se desenrole sem pressas. Algumas dessas histórias paralelas acabam por se concretizar com importância na fase final da obra, outras servem para criar um ambiente bastante negro e depressivo - como todo o enquadramento de Withens, suas origens e a sua provável falta de futuro - duas delas, as de Diane e Ben, enquadram-se na perspectiva de que este é o quarto livro com estes dois personagens, existindo, por isso, um passado a explorar, um presente a desenvolver e, talvez, cenas de próximos capítulos para introduzir. Porventura uma ou outra excursão narrativa não tenha consequência alguma, mas pode-se dar o caso de vir a ser continuada num outro livro.

No que diz respeito ao que senti com esta leitura, em verdade vos devo dizer, neste caso escrever, que não estamos perante uma obra que me tenha enchido as medidas. Talvez por deficiência minha nunca consegui ligar-me com o enredo, com a escrita e nem com a tradução ou revisão. Não considero Ossos um mau livro, a leitura não foi desagradável, existem dois ou três excerto a levar em conta mas... não foi nada que tivesse gostado muito.
Acredito que a circunstância de não ter lido os anteriores volumes com estas personagens possa ter-me obstaculizado de algum modo mas não será, talvez, apenas por esse motivo.

Não deixo de recomendar este livro por aquilo que dele achei. Aliás, nunca aconselharia a não leitura nem que fosse das Páginas Amarelas mas utilizo, apenas, a minha opinião como uma advertência para aqueles que venham a ter a mesma sensação de incompletude perante este livro.

Deixo-vos, para vossa mais completa informação acerca de Ossos, as opiniões de alguns colegas bloggers:
Menina dos Policiais
Os Livros Nossos
Destante


Boas leituras a todos.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A ler: Ossos, Stephen Booth



"O cenário sombrio e nubloso da Cornualha serve de palco a esta trama onde estranhos crimes deixam apenas um rasto de ossos… No interior do Dark Peak, esconde-se a pequena aldeia de Withens, onde a tranquilidade é apenas aparente.
Aos poucos, aquele lugar será perturbado por roubos, vandalismo e estranhos desaparecimentos, onde o crime é apenas a face visível de segredos bem escondidos.
Um jovem é espancado até à morte, abandonado no alto das charnecas à mercê dos corvos. Será a primeira vítima…
É então que chegam à aldeia os detectives Ben Cooper e Diane Fry a quem cabe descobrir a semente do mal. Inicia-se, assim, a caça ao homem. Mas, Withens, encerra muitos mistérios e mais violência se adivinha, à medida que o seu passado estende uma sombra negra sobre o presente…
Chega finalmente a Portugal a primeira obra de Stephen Booth, figura de referência do romance policial britânico.
Natural de Lancashire, manteve-se ligado aos Peninos durante a sua carreira como jornalista.
Os seus interesses incidem sobre o folclore da região, a Internet e as caminhadas pelas colinas do Peak District, cenário dos seus romances."

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O Impiedoso País das Maravilhas e o Fim do Mundo, Haruki Murakami - Opinião




Haruki Murakami é um criador de mundos. Toma um universo exactamente igual ao que todos vivemos e acrescenta-lhe um ou outro elemento estranho, disfuncional ou impossível. Nesse plano existencial alternativo dá abrigo à vida de pessoas iguais a tantas outras. Iguais a mim ou a quem me lê. Explora os sentimentos, pensamentos e reacções que qualquer pessoa tem mas motivados por circunstâncias extraordinárias.

A escrita de Murakami - e a bela tradução que desde sempre o tem acompanhado - transporta-me para esse mundo em quase tudo igual ao meu e faz-me viver tudo o que os personagens, em tudo iguais a mim, vivenciam de forma intensa e, na maioria das vezes, trágica.

Uma obra deste autor, fazendo fé nas várias que li, nunca tem um final definitivo, fechado. As suas palavras deixam-me num estado de dormência introspectiva que dura bastante para além do final dos seus livros.

O Impiedoso País das Maravilhas e o Fim do Mundo relata duas histórias aparentemente paralelas que nunca chegam a unir-se porque verdadeiramente nunca estiveram separadas, nunca foram duas.

Como em vários, se não todos, dos seus escritos abundam as referências ao mundo da literatura, da música e do cinema. Acompanharam-me as deliciosas descrições da culinária nipónica.
Neste livro, em particular, encontrei um humor que muito apreciei.
O primeiro capítulo é algo do mais extraordinário e divertido que já tive a sorte de ter lido.

Uma vez mais fico prostrado e rendido a este incomparável fazedor de mundos.

Boas leituras a todos.

sábado, 12 de outubro de 2013

D. Dinis - A quem chamaram O Lavrador , Cristina Torrão - Opinião



D. Dinis, sexto monarca português, marcou profundamente a consolidação do reino através dos seus quarenta e seis anos de governação. Fundou a primeira universidade portuguesa, substituiu o latim a língua portuguesa nos documentos oficiais, reformou quase todos os castelos, foi um diplomata de excepção, admirado, inclusivamente pelo Papa, incrementou a agricultura, a pesca e o comércio, amante da poesia e da música, ficou imortalizado pelos seus cantares. Mas a tragédia também assolou a sua alma, primeiro foi o conflito armado com o irmão, no final da vida, a dilacerante guerra com o seu próprio filho herdeiro. A seu lado, estava uma rainha de excepção, Isabel de Aragão, com a qual nem sempre as relações foram fáceis…
Neste romance, Cristina Torrão, autora do romance histórico Afonso Henriques – O Homem publicado pela Ésquilo, conduz o leitor à intimidade de um Rei justo, sábio e poeta. Nunca a esfera íntima de D. Dinis foi descrita com tanto detalhe e faceta humana.


Terminada a que já se tem tornado habitual pausa estival que faço na leitura e no blogue venho hoje partilhar a minha visão sobre este livro de Cristina Torrão.

Acabei a sua leitura há já alguns meses e tal facto justifica uma menor presença em mim da agradável sensação que me ficou ao terminá-lo, como um perfume que ao longo do tempo vai perdendo a sua fragrância. Não deixa de cheirar bem, apenas se sente menos o seu efeito. Para o bem e para o mal o tempo tem destas coisas.

Nesta obra narra-se a história de D. Dinis, enquadrando-a em todos os factos Históricos relevantes no período da sua vida. Viajamos pela História de Portugal, de Espanha, da Europa. Ao mesmo tempo que caminhamos por entre factos que a autora desenterrou dos arquivos (estou a imaginá-los poeirentos, húmidos e com teias de aranha... clássico), que conhecemos a biografia deste soberbo monarca de pelo na venta, somos embrenhados numa narração com componentes romanceados muito interessante.

Adorei o modo como a autora enquadrou a ficção no contexto histórico. Momentos houve em que não percebia se o trecho que lia pertencia à História ou ao romance e acredito que isso aconteceu por mérito da escritora.

Adorei conhecer a vida deste Rei por quem sempre senti bastante simpatia mas que, depois desta obra, admiro profundamente.

Recomendo, obviamente, a leitura desta obra a todos aqueles que se interessem, seja pelo género, pela História, ou tão somente por ler um "conto" interessante e bem escrito.

Não posso deixar de mencionar um facto digno de registo. Quero agradecer publicamente à autora a sua generosidade ao ter-me dado a possibilidade de ler a sua obra, ainda por cima, acompanhada de uma simpática dedicatória.

Obrigado, Cristina.

Boas leituras a todos.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

O Tribunal das Almas, Donato Carrisi - Opinião



Sinopse:
"Marcus é um homem sem passado. A sua especialidade: analisar as cenas de crime para reconhecer o Mal nos pequenos detalhes e solucionar homicídios aparentemente perfeitos. Há um ano, foi gravemente ferido e perdeu a memória. Hoje, é o único que poderá salvar uma jovem desaparecida.
Este peculiar investigador enfrenta, porém, um desafio ainda maior: alguém está a usar o arquivo criminal da Igreja para revelar a verdade sobre crimes nunca oficialmente resolvidos. Assassinos são colocados perante os familiares das vítimas. Será, passado tanto tempo, saciado o desejo de vingança? Passarão os inocentes a culpados? Ou será, finalmente, feita justiça?"



Opinião:
Nas opiniões mais recentes não tenho colocado a sinopse e procuro pintar o livro com as minhas palavras. Desta feita deixo-vos como referência o "resumo oficial". Em primeiro lugar fazer uma resenha introdutória ao que li levaria, ainda que inadvertidamente, a revelar algum facto que mereça ser mantido secreto. Em segundo lugar há várias histórias ligadas entre si e mencioná-las de modo rigoroso seria uma trabalheira medonha, e incorreria, de novo, no risco de revelar demais. Em terceiro lugar... estou desiludido e não me apetece elaborar qualquer opinião.
Ainda assim tentarei. Se já me custa fazê-lo enquanto a leitura ainda está "fresca" daqui a alguns dias será um sofrimento insuportável.
Mãos à obra.

Comecei por pensar em três palavras que definissem este livro. Em pouco tempo desisti da ideia. Não seriam vocábulos que pudessem ser lidos em casas de família e gente respeitável.

Pensei em estabelecer uma comparação entre este Tribunal das Almas e Sopro do Mal - o policial/thriller que mais gostei este ano e também do mesmo autor - mas, como uma folha levada pelo vento outunal, paulatinamente a ideia foi perdendo altitude e acabou por se estatelar no húmus.

Resta-me fazer aquilo para que me pagam - ou então não - e procurar escrever algo que possa ser utilizável, na óptica de qualquer leitor.

O registo de Carrisi não se alterou de sobremaneira. Trata-se de um policial interessante, com um enredo muito intrincado, com bastantes reviravoltas, crimes, uma busca por alguém, pela verdade e pela vida.
Existem apontamentos que convidam à reflexão e salientaria alguns excertos que se quedaram na minha retina:

"Às vezes gostaríamos que a realidade fosse diferente. E se não podemos mudar as coisas, então pomo-nos a explicá-la à nossa maneira. Mas nem sempre se consegue. - pág.38.
(Aproveito para dedicar esta frase ao nosso Governo e a Sua Excelência, o Presidente da República)

"Reduzira tudo ao essencial. Por exemplo, nunca possuíra um livro. Lia muito, mas, sempre que acabava um livro, oferecia-o." - pág. 44.

"Crer em Deus não significa necessariamente amá-lo. (...) A nossa relação com ele baseia-se na esperança de que haja alguma coisa depois da morte. Mas, se não houvesse vida eterna, amaria-mos de igual forma o Deus que nos criou? (...) Eu acredito que existe um Criador, mas não alguma coisa depois desta vida. Por isso, sinto-me autorizado a odiá-lo." - pág. 213.

"(...) os colegas de trabalho tornam-se uma espécie de segunda família, porque essa é a única maneira de se enfrentar a dor e a injustiça que se encontram todos os dias." - pág. 274.

Outras passagens houve que me levaram também a reflexões várias, mais ou menos filosóficas, sobre o mal, o ser humano e sobre os dois.

A escrita é simples mas escorreita e funcional. As personagens são caracterizadas pelo que fazem ou pelo seu passado. O autor não é muito descritivo.

Posto tudo isto e procurando resumir para terminar, podem estar a indagar-se de onde provém a minha desilusão.
Pois bem, esta surge motivada pela circunstância de que não senti qualquer ligação com o livro. Custou-me regressar dia após dia a estas páginas. Não existiu nada que me desagradasse todavia também muito pouco me cativou.
A cada capítulo em que o autor adensava e enriquecia o enredo com mais "confusão" a minha energia diminuía.
No fim existem algumas reviravoltas de assinalar mas confesso que a minha reacção a estas foi nada entusiasmada.

Deixando uma daquelas frases espectaculares:
Um bom livro, muito interessante, mas que não me cativou como poderia e, sobretudo, como esperava.

Boas leituras.

domingo, 26 de maio de 2013

O Ano Sabático, João Tordo - Opinião


Opinião:

Hugo é um músico português que vive no Canadá. Aprendeu música com Édouard - que se tornaria seu amigo e companheiro de actuação - e, com o dinheiro que não tinha, adquiriu um contrabaixo antigo, restaurado por Catherine. O instrumento era por Hugo chamado de Nutella, inspirado pela similaridade que a sua cor tinha com o creme de chocolate.
A existência nunca foi fácil para Hugo, nem no Canadá nem em lado algum. Cheio de dívidas, com problemas de alcoolismo e drogas - o declínio físico e psicológico em grande escala - o nosso músico resolve voltar a Portugal com o intuito de fazer um ano sabático. O seu desígnio era livrar-se do problema do alcoolismo, re-estruturar a existência, adquirir as energias que tanto lhe faltavam para viver, quanto mais para tocar,  visitar a sua família - em especial a sua irmã gémea e o seu sobrinho Mateus - e terminar a composição de uma melodia em Dó Sustenido na qual trabalhava há algum tempo sem conseguir encontrar aquela nota que fizesse sentido e desbloqueasse a progressão da obra.

Quando mudamos de morada não deixamos os problemas à porta. Estes, por sua vez, habitam-nos e vão connosco para todo o lado.

Num encontro com uma mulher promovido pela sua irmã, - um típico blind date - Hugo vai com Elsa a um concerto de Luis Stockman - um pianista brilhante em rápida ascensão. A música era agradável e a reacção de toda a assistência apoteótica. No calor do momento Stockman parte para a improvisação e toca uma melodia que ninguém reconhecia. Uma agradável melodia em Dó Sustenido. A composição em que Hugo estava a trabalhar. A composição que só existia na sua cabeça.

Como seria possível que Stockman lhe tivesse roubado a melodia se ninguém a conhecia e não estava escrita em lado algum?
Pior do que isso. Seria admissível que duas pessoas que nunca se conheceram compusessem a mesma música?
E porque é que alguns diziam que Hugo e Stockman pareciam irmãos? Gémeos?

Será este o ponto de ruptura que precipitará todos os restantes acontecimentos.

Na minha opinião, ao contrário do que alguns defendem, este não é um livro sobre música. Esta faz parte da história e serve-lhe de suporte, ou justificação, mas não é sobre música.

O Ano Sabático versa sobra a existência de dois homens. O que a condiciona e motiva. É, no fundo, um romance sobre a nossa própria individualidade e se será tão inerentemente individual e exclusiva como poderíamos, à partida, pensar.

Hugo encontra em Stockman o espelho do que poderia ser. Mais do que isso, revê nele uma parte que lhe falta a si mesmo. Como dois círculos que se tocam, ou talvez seja melhor pensar apenas num, que se complementa com a descoberta do traço que lhe falta.
Uma individualidade partilhada? Um paradoxo?

Gostaria de adiantar algo mais sobre este aspecto mas fazê-lo seria estragar a futura leitura daqueles que possam estar interessados.

Esta primeira experiência com João Tordo, que acontece porque a minha esposa me ofereceu este livro, foi absolutamente positiva. Encontrei na escrita deste autor um "não sei quê" de Vergílio Ferreira que me agradou imenso.
Tordo é um narrador competente e um escrevedor assinalável.

A páginas tantas - foi na pág.163 - pode ler-se o seguinte:
"É este o desafio do escritor, parece-me: encontrar a verdade de um determinado ponto de vista."

Se este é o desafio do autor talvez me atreva a assinalar que o desafio do leitor poderá ser o de reconhecer a verdade desse ponto de vista enquandrando-a o melhor que lhe for possível.

Encontrei a verdade das palavras de Tordo.

Gostei imenso deste livro.

Boas leituras.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Aquisições de Maio

Para gáudio de todos, aqui vos deixo as aquisições efectuadas neste mês de Maio:



Sinopse:
"Para a Polícia, a morte violenta de um sem-abrigo cuja identidade é quase impossível de determinar não é uma ocorrência a que se possa dedicar muito tempo. Mas a situação altera-se na manhã seguinte: aparecem mortos, da mesma maneira, mais dois sem-abrigo na Baixa de Lisboa. E, dois dias depois, são três os sem-abrigo atacados. O serial killer começa, porém, a deixar pistas - e estas apontam para um culto satânico, mas também para a maçonaria. Com o medo a instalar-se em Lisboa, onde o assassino vai multiplicando os seus actos de violência, e enquanto Joel Franco começa a descobrir as origens desta vaga de crimes, o presidente da Câmara de Lisboa e um seu discreto aliado na própria PJ percebem quem é o autor das mortes: o homem que quiseram transformar em bode expiatório quando começou a correr mal o comércio ilícito de terrenos na zona do projectado aeroporto da Ota. No qual pontificara o presidente da Câmara quando ainda era ministro do Ambiente… E em breve vão estar frente a frente dois homens que, à sua maneira, procuram justiça: o assassino propriamente dito e Joel Franco, que tenta vingar a morte de um amigo de infância em cada homicida que persegue. É bem provável que ambos desafiem a antiquíssima norma que regula a sociedade humana: «Não matarás.»"



Sinopse:
Estava à tua procura. Encontrei-te.
És a pessoa certa...
Agora, mata!
"Marcus é um homem sem passado. A sua especialidade: analisar as cenas de crime para reconhecer o Mal nos pequenos detalhes e solucionar homicídios aparentemente perfeitos. Há um ano, foi gravemente ferido e perdeu a memória. Hoje, é o único que poderá salvar uma jovem desaparecida.
Este peculiar investigador enfrenta, porém, um desafio ainda maior: alguém está a usar o arquivo criminal da Igreja para revelar a verdade sobre crimes nunca oficialmente resolvidos. Assassinos são colocados perante os familiares das vítimas. Será, passado tanto tempo, saciado o desejo de vingança? Passarão os inocentes a culpados? Ou será, finalmente, feita justiça?"




Sinopse:
"Erik Maria Bark é o mais famoso hipnotista da Suécia. Acusado de falta de ética, e com o casamento à beira do colapso, jurou publicamente nunca mais praticar a hipnose nos seus pacientes e há dez anos que se mantém fiel à sua promessa. Até agora.
Estocolmo. Uma família é brutalmente assassinada e a única testemunha está internada no hospital em estado de choque; Josef Ek, de apenas 15 anos, presenciou o massacre dos seus pais e irmã mais nova, sendo ele próprio encontrado numa poça de sangue, vivo por milagre.
Nessa mesma noite, Erik Maria Bark recebe um telefonema do comissário Joona Linna solicitando os seus serviços - urge descobrir a identidade do assassino e para tal Josef deverá ser hipnotizado. Erik aceita a missão com relutância, longe de imaginar que o que vai encontrar pela frente é um pesadelo capaz de ultrapassar os seus piores receios.
Dias mais tarde, o seu filho de 15 anos, Benjamin, é sequestrado da própria casa. Haverá uma ligação entre estes dois casos? Para salvar a vida de Benjamin, o hipnotista deverá enfrentar os fantasmas do seu passado e mergulhar nas mentes mais sombrias e perversas que jamais poderia imaginar; o que tinha por difuso revela-se abominável, o que tinha por suspeito surge como demoníaco. Para Erik, a contagem regressiva já começou…"




Sinopse:
"Uma mulher aparece misteriosamente morta numa embarcação de recreio ao largo do arquipélago de Estocolmo. O seu corpo está seco, mas a autópsia revela que os pulmões estão cheios de água. No dia seguinte, Carl Palmcrona, director-geral de Armamento e Infraestruturas de Defesa da Suécia, é encontrado enforcado em casa. O corpo parece flutuar ao som de uma enigmática música de violino que ecoa por todo o apartamento.
Chamado ao local, o comissário da polícia Joona Lina sabe que na sua profissão não se pode deixar enganar pelas aparências e que um presumível suicídio não é razão suficiente para fechar o caso. Haverá possibilidade de estes dois casos estarem relacionados? O que poderia unir duas pessoas que aparentemente não se conheciam?
Longe de imaginar o que está por detrás destas mortes, Joona Lina mergulhará numa investigação que o conduzirá, através de uma vertiginosa sucessão de acontecimentos, a uma descoberta diabólica. Existem pactos que nem mesmo a morte pode quebrar..."




Sinopse:
"É sem dificuldade que o autor se move por entre os últimos dias da Segunda Guerra Mundial, na frente oriental, e na actual cidade de Oslo, arquitectando uma complexa história de assassinato, vingança e traição. O inspector Harry Hole, um alcoólico em recuperação e recentemente transferido para o Serviço de Segurança Pública norueguês, fica de vigiar Sverre Olsen, um neonazi corrupto que escapou à condenação devido a um pormenor técnico. Mas o que começa por ser uma missão com o intuito de colocar Olsen atrás das grades, rapidamente passa a ser uma corrida contra o tempo para impedir um assassinato. À medida que Hole se esforça para permanecer um passo à frente de Olsen e do seu gang de skinheads, Nesbø leva o leitor de volta à Segunda Guerra Mundial, onde os noruegueses que lutam a favor de Hitler tentam equilibrar uma guerra destinada à derrota na frente oriental. Quando as duas linhas de acção finalmente colidem, cabe a Hole travar um homem decidido a levar a cabo a execução de um plano letal elaborado há meio século nas trincheiras de Leninegrado."



Sinopse:
"Roger Brown é um vilão sedutor, um homem que parece ter tudo: é o caçador de cabeças mais bem-sucedido da Noruega - procura e seleciona altos quadros para as maiores empresas -, casado com uma elegante galerista e proprietário de uma casa luxuosa. Mas, por detrás desta fachada de sucesso, Roger Brown gasta mais do que pode e dedica-se ao perigoso jogo do roubo de obras de arte.
Na inauguração de uma galeria, a mulher, Diana, apresenta-o ao holandês Clas Greve e Roger percebe imediatamente que não pode deixar escapar aquela oportunidade. Clas Greve não é apenas o candidato perfeito ao cargo de diretor-geral que ele tem de recrutar para a empresa Pathfinder, como ainda tem em seu poder o famoso quadro de Rubens, A Caça ao Javali de Caledónia. Roger identifica aqui a possibilidade de se tornar financeiramente independente e começa a planear o seu maior golpe de sempre. Mas depressa se vê em apuros - e desta vez não são financeiros.
Em Caçadores de Cabeças, Jo Nesbo envolve-nos numa conspiração explosiva nos meandros da elite industrial e financeira, que culmina no submundo de assassinos contratados e vigaristas. Uma sucessão de homicídios surpreendentes, perseguições e fugas espetaculares, capazes de prender até à última página o mais exigente dos leitores."

Para Junho há mais...


Já conhecem estas obras?
O que têm adquirido?
Boas leituras a todos.

domingo, 19 de maio de 2013

A Noiva Assassina, James Patterson, Howard Roughan - Opinião


Opinião:

Nora Sinclair tem o dom de acumular fortuna na mesma proporção que colecciona companheiros "acidentalmente falecidos". Todos eles ricos.
Quando Nora descobre as palavras-passe que lhe permitem transferir grandes quantidades de dinheiro das contas dos seus companheiros para a sua própria, estes não tardam a padecer de mortais insuficiências cardíacas.
John O'Hara, agente do FBI, em pouco tempo se vê a braços com Nora e estas enigmáticas mortes.

Partindo destas premissas regadas com suspense, bom-humor, luxúria e alguma loucura encontramos um livro bastante agradável e de leitura rápida. A acção desenrola-se a bom ritmo dividida por capítulos pequenos e intensos, como Patterson nos tem habituado, que permitem que os nossos olhos voem pelas palavras em muito pouco tempo.

Tudo isto, e algo mais, num livro escrito a duas mãos.

Inicialmente fiz uma nota onde se podia ler que a leitura podia ser avaliada em dois planos. O primeiro prendia-se com o interesse que os autores souberam imprimir à narrativa. O segundo plano, um pouco menos positivo, estava ligado a uma crescente falta de credibilidade no que aos crimes e, sobretudo, a sua falta de atenção por parte da polícia dizia respeito.
Com agrado verifiquei que não tardou que o FBI se envolvesse na investigação das mortes que Nora atraía.

Manifestado, finalmente, o conhecimento e interesse por parte das autoridades das circunstâncias que tornavam esta mulher numa Viúva Negra, a componente menos positiva da minha opinião deixou de ter razão de ser, podendo eu apreciar o desenrolar do enredo até a um desenlace mais ou menos previsível mas nem por isso menos apelativo.

Não é, seguramente, do melhor que tenho tido o privilégio de este ano ter lido, todavia, posso dizer que estamos perante um policial comercial agradável, com muitos motivos de interesse, num registo leve e "limpinho".
Após a sua leitura ficou-me a ideia de se tratar de um óptimo livro para se ler numas férias.

Boas leituras a todos.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Não Abras os Olhos, John Verdon - Opinião


Opinião:

Em Não Abras os Olhos, Verdon leva-nos a revisitar Dave Gurney em mais um caso pleno de pormenores intrincados, complexos e, tal como em Pensa num Número, aparentemente impossíveis.

Neste livro voltamos a entrar no cerne da investigação criminal através do olhar do mais famoso criminalista de Nova Iorque - que continua na condição de aposentado.
A aceitação por parte de Dave de resolver, na condição de consultor, mais um insólito homicídio vale-lhe (mais) uma tensa situação com a esposa, Madeleine, que não vê com bons olhos esta aposentação tão pouco efectiva.

No segundo livro de Verdon, Scott Ashton, vê a noiva assassinada na sua festa de casamento. A preciosa cabeça  de Jillian é cortada e deixada em cima de uma mesa voltada para o tronco ao qual minutos antes estivera ligada. Da casa do desaparecido Hector Flores os cães detectam um rasto que os leva no seu encalço até uma faca semi-enterrada e ensanguentada, onde tal rasto misteriosamente termina, deixando caninos e humanos perplexos sem saber que direcção tomar e como é possível que alguém pura e simplesmente evapore.

A partir deste ponto estão lançados os dados para uma fantástica perseguição onde muito pouco é o que aparenta ser e em que a vida de Dave Gurney e Madeleine parecem estar ameaçadas.

Dado que havia lido o primeiro volume publicado de John Verdon é incontornável fazer comparações, até porque esse primeiro contacto com o registo deste autor me deixou maravilhado e até com algum receio de que Verdon pudesse não ter mestria de surpreender após uma obra de estreia tão auspiciosa como Pensa num Número.


Tecendo uma consideração global à obra, até porque alongar-me numa opinião casuística ou demasiado específica obrigar-me-ia a revelar partes fundamentais do enredo que, a bem do interesse de futuros leitores,  deverão permanecer desconhecidos, posso afirmar que gostei bastante deste Não Abras os Olhos.


Caindo na tal eventual armadilha da comparação não me sinto desiludido com este livro... mas gostei mais do primeiro. Atribuo 4* a ambos, o que indicia que a diferença de simpatia não é substancial, todavia, não me senti  devidamente surpreendido e sustentava essa expectativa.

Tendo gostado bastante das duas obras, permanece em mim a sensação de que neste segundo volume as ocorrências relativas aos crimes e respectiva investigação serão menos credíveis do que havia encontrado no  primeiro. Não detecto o mal de chegarem a ser forçadas, notem, contudo, como referi, essa sensação ficou-me.

Descontando muito facilmente esta e outras questões de pormenor, não desconsidero este livro nem o seu autor e confesso-me bastante ansioso por poder reencontrar Verdon, Gurney e Madeleine numa futura edição portuguesa - que deste modo peço execução de forma veemente -  de Let the Devil Sleep, o terceiro livro do autor.

Boas leituras a todos.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Senhor Monstro e Não Te Quero Matar, Dan Wells - Opinião



Opinião:

Ontem terminei Senhor Monstro. Hoje estou com gripe, tenho febre, não fui capaz de estar no emprego e o que melhor para quem está doente fazer do que estar no sofá a ler? Pois, também não me lembro de muito mais coisas e aquelas de que me lembro não são muito aconselháveis para quem está com febre e sem força. Adiante.

Por tudo isto, comecei a ler Não Te Quero Matar... e já acabei. Lucky me.

Em Senhor Monstro voltamo-nos a encontrar com John Wayne Cleaver, o adolescente sociopata que procura matar demónios na tentativa de saciar o assassino em série que tem dentro de si. Mais vale dar cabo de uns seres sobrenaturais do que torturar e matar os seus familiares e conhecidos, não é? O Wells acha que sim, e quem sou, ainda para mais com a juízo alterado e pirético, para questionar o desígnio do autor?

Assim sendo uma nova vaga de mortes surge no Condado de Clayton e o nosso teenager parte para mais uma investigação com objectivo de descobrir e travar o demónio à solta (leia-se dar-lhe cabo do canastro).

Neste volume da trilogia, mais uma vez, o enredo centra-se muito na luta interna que decorre em John, no seu anseio por violência e na sua busca por reprimir esses desejos mais obscuros, embora intensos e que lhe dariam muito prazer.

Na minha opinião, e é disso que se trata, penso que depois de um primeiro volume em que Dan Wells caracteriza muito bem este jovem perturbado, não havia necessidade de fazê-lo de uma forma tão profunda e repetitiva nesta obra. A maior parte do enredo é sobre esta guerra que John trava consigo próprio, tendo eu por vezes ficado com a sensação de que o resto da história acaba por permanecer em segundo plano.

Lá mais para o final do livro as coisas aquecem um bocadinho mas confesso que dos três livros este foi aquele que menos gostei.

O que nos traz a Não Te Quero Matar.

Neste terceiro e, até ao momento, último livro da série, John Cleaver, que no livro anterior havia ligado a um demónio e lhe anunciou que o haveria de matar, defronta-se com mais um conjunto de assassinatos na sua vila. Cedo Cleaver percebe que o demónio que havia espicaçado aí estava para o apanhar.

A contagem de corpos vai aumentando à medida que o número de conhecidos e amigos de John vai diminuindo drasticamente.

Este é, em meu entender, o melhor dos três volumes. Wells não insiste tanto em bater no ceguinho e embora  a luta interior do nosso herói/sociopata esteja bem presente no enredo, a sua exploração parece-me muito melhor gerida.

O enredo está mais rico, existe mais emoção e suspense, o autor procura dedicar-se mais ao propriamente dito do que passar o tempo todo a explicar o que já todos havíamos percebido e o leitor só ganha com isso.

John Cleaver parece mais despachado e menos "morcão" e toda a obra está repleta de relações humanas, suspense, acção, violência, morte, perda, sofrimento, vingança mas também amor e amizade.

Existem aqui e ali umas facilidades ou inocências nas acções narradas que não seriam, de todo, desejáveis mas o interesse que Wells consegue impregnar nesta história, com umas belas reviravoltas e suspense fazem rapidamente esquecer essa mão cheia de linhas.

Estamos perante um excelente livro e, como havia já referido, de longe, o melhor dos três.

Boas leituras.

sábado, 4 de maio de 2013

Sopro do Mal, Donato Carrisi - Opinião



Opinião:

Os braços esquerdos de seis crianças que haviam sido raptadas aparecem enterrados num bosque. O membro da sexta "revela" um dado importante: de todas elas é a única que ainda está viva, encontrando-se à mercê de um serial killer.

A equipa do criminalista Goran Gavila irá contar com a ajuda preciosa de Mila Vasquez, cuja especialidade é encontrar crianças desaparecidas.
Os corpos das meninas assassinadas vão aparecendo, um por um, nos locais mais inusitados e sempre em locais que denunciam outros doentes, assassinos, pedófilos.

Esta é a base para se desencadear uma busca incessante e uma caça ao monstro sem igual. Estamos perante um livro extraordinário. Desde a construção e caracterização das personagens, passando pela riqueza, sustentação e imprevisibilidade do enredo, terminando na certeira e interessante escrita do autor.

A informação sobre assassinos em série, a sua caracterização e "desconstrução", a investigação policial, as técnicas forenses, as reviravoltas daquelas mesmo boas... está tudo lá, na minha opinião, na proporção correcta.

A única crítica que poderia apontar é uma certa "ingenuidade" das forças da autoridade no princípio do livro mas essa circunstância até poderia ser propositada com o intuito de causar algum "stress" no leitor que ia logo percebendo o que os polícias tardavam em descobrir.

Uma vez mais deparo-me com uma obra de estreia de uma qualidade e interesse ímpares. Confesso que tenho até algum receio de que o as próximas obras deste autor não lhe consigam fazer jus.

Desejo adquirir o outro livro de Donato Carrisi editado em Português - O Tribunal das Almas - mas será possível fazer melhor?
Mal posso esperar para ver.

Este livro é, até ao momento, o policial/thriller que mais gostei de ler este ano.

Boas leituras.

terça-feira, 30 de abril de 2013

O Estilete Assassino, Ken Follett - Opinião


Opinião:


Esta foi a minha primeira experiência (sem sentido bíblico) com Ken Follett.

Gostei da sua escrita. É rica, pormenorizada, descritiva e escorreita.
 É muito agradável seguir este enredo, com episódios de uma certa violência mas sempre apropriados e bem enquadrados, embora por vezes se tornasse um pouco previsível.

Dado que se trata de um romance com um contexto histórico talvez o próprio enquadramento limitasse as opções do autor quanto ao que poderia utilizar como argumentos enriquecedores do enredo.

As personagens são bem caracterizadas e são representativas de certos estereótipos que não surpreendem muito.

Existe um conjunto de felizes coincidências que conjugam as duas narrativas aparentemente independentes e que acabam por culminar num final trágico mas pouco surpreendente.

Se tomarmos a culinária como alternativa comparativa ou metafórica poderemos dizer que o Estilete Assassino é um cozido à portuguesa. Está cheio de coisas deliciosas e diferentes. Todos os ingredientes têm o sabor esperado e, juntos, transformam-se num repasto comestível.
Está bem preparado e cozinhado? Sim, está.
É o melhor cozido à portuguesa que já comi? Não, de todo.

Boas leituras a todos.

domingo, 28 de abril de 2013

Aquisições de Abril

Embora o mês não tenha ainda terminado já não faltam muitos dias para tal, e como o orçamento - puff!! - já se foi, posso desde já anunciar ao mundo os livros que foram adquiridos no mês das águas mil.

No que aos livros diz respeito, Abril foi um bom mês. Entre promoções, compras regulares e prendas de aniversário posso contar com dez novos amigos.

Aproveitando uns preços daqueles que gostamos e que a crise quase obriga, da Bertrand vieram:

Sinopse:
"Um violento surto de homicídios em série está a tumultuar o prestigiado Ariel College, em Cambridge. Os alunos vivem num clima de suspeição e terror desde que foi encontrado o corpo da primeira colega assassinada. Nenhum aluno está a salvo, e Mathew Denison, o psiquiatra forense que colabora com a polícia na tentativa de desmascarar o assassino, sabe-o melhor que ninguém. Para chegar à verdade, Denison explora o subconsciente de Olivia Corscadden, a aluna que guarda na sua mente a identidade do homicida. Um thriller psicológico magnético, onde o realismo e o suspense da investigação criminal atingem proporções quase insustentáveis."



Sinopse:
"Philip Marlowe conhece Terry Lennox numa altura em que este atravessa uma fase pouco positiva da sua vida. A amizade entre os dois vai-se aprofundando e o detective Marlowe decide ajudar o novo amigo… Uma noite Lennox aparece em casa do detective pedindo-lhe que o leve de carro ao aeroporto de Tijuana. Desconfiando do que poderá ter-se passado, Marlowe aceita recusando-se a saber os motivos da fuga. No regresso o detective é preso, acusado de cumplicidade no assassínio da mulher de Lennox. Ao fim de três dias é libertado. Lennox ter-se-ia suicidado, deixando uma carta em que confessa o assassinato da mulher. Mas o detective não acredita naquela versão dos factos e decide investigar o caso por conta própria, envolvendo-se em sórdidos segredos da fervilhante Califórnia dos anos 50. Um livro empolgante que levará o leitor a um desfecho surpreendente."



Sinopse:
"James Patterson é um dos grandes mestres da arte do thriller, e as suas obras tornam-se, invariavelmente, estrondosos bestsellers internacionais. Neste seu romance, somos invadidos por uma espécie de fascínio negro e sedutor que emana da protagonista, Nora Sinclair, uma autêntica femme fatale ao estilo dos anos 40, que deixa atrás de si um rasto sinistro de homens mortos em circunstâncias misteriosas. E quando John O’Hara, agente do FBI, se vê envolvido na investigação do caso, rapidamente cede ao magnetismo da sua beleza sensual e mortífera. Obcecado, rendido, deixa-se apanhar nas malhas daquela Viúva Negra insaciável, e acaba por desvendar toda a verdade… da pior maneira possível! A Noiva Assassina foi distinguido com o International Thriller of the Year 2005 pelo grupo Bertelsmann"



Sinopse:
"Considerado pelo jornal The New York Times «brutal e ao mesmo tempo credível», A Dália Negra, romance de 1987, vai subir ao grande ecrã, dia 21 de Setembro, com distribuição da Lusomundo. Realizado por Brian de Palma, conta nos papéis principais com a interpretação de Scarlett Johansson, Hilary Swank e Mia Kirshner. James Ellroy, um dos mais conceituados escritores americanos, obcecado pelo próprio homicídio da sua mãe, baseou-se num caso verídico para construir uma narrativa sobre dois polícias de Los Angeles que, na década de 40, se deparam com o horrível assassínio de Elizabeth Short, uma jovem aspirante a actriz cujo corpo apareceu mutilado e com sinais evidentes de tortura dias antes de ser encontrado. Apesar das intensas investigações, o caso da rapariga que utilizava uma dália negra no cabelo, nunca acabou por ser desvendado, passando a figurar na história da América como uma autêntica lenda."


No dia do livro, para aproveitar a promoção da Wook (que afinal é boa mas não tanto como inicialmente pensei - defeito meu, só pode) encomendei e já chegaram:

Sinopse:
"Em Não Sou Um Serial Killer, ficámos a conhecer John Wayne Cleaver, um rapaz bem-comportado, tímido, reservado (e obcecado com a morte, mais especificamente com homicídios), que salvou a sua cidade de um assassino ainda mais aterrador que os serial killers que estuda obsessivamente. 
No entanto, como rapidamente descobre, até os demónios têm amigos, e o desaparecimento daquele que John matou atraiu outro monstro ao condado de Clayton. As suas vítimas vão aparecendo na casa mortuária onde John trabalha, e ele tenta resolver o mistério, uma vez mais. Desta vez, contudo, há uma diferença: John já provou o sabor da morte, e a parte mais escura da sua personalidade pode descontrolar-se, com consequências imprevisíveis mas muito perigosas. 
Ninguém em Clayton estará seguro se John não conseguir derrotar estes dois adversários tremendos: o demónio desconhecido que tem de caçar, e o seu próprio demónio interior - a criatura sedenta de sangue a que ele chama «Senhor Monstro»…"




Sinopse:
"John Wayne Cleaver é um rapaz bem-comportado, tímido, reservado (e obcecado com a morte, mais especificamente com homicídios), que estuda obsessivamente serial killers e passa os tempos livres a trabalhar na casa funerária da família. A morte parece fazer parte indelével da sua vida; talvez por isso John tenha desenvolvido os poderes de dedução que lhe permitiram salvar a sua cidade do ataque de assassinos (literalmente) demoníacos.
Em Não Te Quero Matar, John Wayne Cleaver apercebe-se de que a única maneira de pôr fim a estes ataques é fazer frente aos demónios que mataram tantos dos seus amigos e vizinhos.
Para isso, vai ter de desafiar uma das criaturas mais perigosas com que já se deparou; e os demónios nunca fazem jogo limpo…
Um thriller sobrenatural irresistível, com um dos protagonistas mais inesquecíveis deste género."




Sinopse:
"David Gurney sentia-se quase invencível... até que esbarrou com o assassino mais inteligente que alguma vez teve de enfrentar.
Duas semanas é o prazo que Dave Gurney - inspetor de homicídios recém-reformado da Polícia de Nova Iorque e protagonista do primeiro romance de John Verdon, Pensa Num Número - se impõe para resolver um caso intrigante que lhe chega às mãos: uma jovem noiva é decapitada durante o copo-d'água, rodeada por centenas de convidados. Não há testemunhas, arma do crime ou qualquer pista do assassino. Um desafio ao qual é impossível resistir. Mas a que custo?
Todos os indícios apontam para o novo jardineiro, um homem misterioso e conturbado, mas nada se encaixa - nem o motivo, nem a ausência da arma do crime e, acima de tudo, o cruel modus operandi. Deixando de lado o óbvio, Gurney começa a ligar os pontos longe de imaginar que está prestes a travar uma batalha épica com o pior dos inimigos, um sádico implacável, que não hesitará em arrastá-lo para a beira do precipício e, pior... à sua mulher, Madeleine."



Como se já não bastassem estas maravilhas deliciosas, como prenda de aniversário tive direito a mais três:

Sinopse:
"Depois de treze anos de vida desregrada no Québec, Hugo, um contrabaixista de jazz, decide tirar um «ano sabático» e regressar a Lisboa, onde espera reencontrar o equilíbrio junto da família. Porém, logo numa das primeiras noites, assiste ao concerto de Luís Stockman - um pianista que se tornou recentemente famoso -, e a almejada paz transforma-se no pior dos pesadelos: Stockman toca um tema inédito que Hugo conhece bem demais, pois é o mesmo que vem escrevendo há anos na sua cabeça…
Quando o começam a confundir na rua com o pianista - e a própria mãe lança a dúvida sobre a sua identidade -, Hugo encetará uma busca obsessiva da verdade e do seu duplo, entrando num labirinto de memórias e contradições que o conduzirá a um destino muito mais funesto do que imaginara ao deixar Montreal. É nessa mesma cidade que Stockman desaparecerá, curiosamente, mais tarde, segundo nos conta o seu melhor amigo - o narrador deste romance - a quem cabe agora desmontar os acontecimentos, destrinçar fantasia e realidade e enfrentar as assustadoras e macabras coincidências que unem, como num espelho, a vida dos dois músicos."




Sinopse:
"Um agente secreto de Hitler, um assassino frio e profissional com o nome de código «Agulha», vê-se envolvido na manobra de diversão dos aliados que antecede o desembarque militar em França. Estamos em 1944, a semanas do Dia D.
O Estilete Assassino é um arrebatador bestseller internacional em que o destino da guerra assenta nas mãos de um espião, do seu adversário e de uma mulher corajosa."




Sinopse:
"Para se deslocar ao laboratório de um velho professor com fama de homem da Renascença do nosso tempo, um técnico informático apanha um elevador, lento ao ponto de uma pessoa não saber se está a subir ou a descer. À chegada, é recebido por uma jovem bonita e rechonchuda. O programador segue atrás da mulher vestida de cor-de-rosa por corredores que nunca mais acabam e por caminhos subterrâneos, aspirando profundamente a fragrância de melão que a nuca dela exala. No entanto, nem sequer ouve o rumor da respiração e é como se as palavras que lhe saem da boca chegassem aos seus ouvidos através de uma espessa parede de vidro. Às tantas, parece-lhe que a jovem de formas arredondadas terá dito qualquer coisa como «Marcel Proust». Marcel Proust? Bem-vindos ao impiedoso país das maravilhas. 
Numa pequena e fantasmagórica cidade, rodeada por uma muralha que a separa do resto do mundo, vivem seres humanos privados da sombra e dos sentimentos. Habituados desde há muito a conviver tranquilamente com a ausência de emoções, todos se mostram satisfeitos e em paz. Ninguém envelhece, ninguém morre. A que se deve tal proeza? Aparentemente, ao facto de não terem coração. Com efeito, as pessoas deixam de ter sombra mal passam a viver dentro das muralhas. A esta cidade nos confins do mundo chega um jovem de trinta e cinco anos, que tem por missão ler «os velhos sonhos» nos crânios dos unicórnios. Com a ajuda da bibliotecária, que revela um apetite prodigioso até dizer basta, o programador propõe-se recolher recordações e fragmentos de outras vidas, pertencente a uma outra possível dimensão."



Como tinha dito... um grande mês. :)

E vocês o que têm adquirido?
Como andam essas estantes?

Boas leituras a todos.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Pensa num Número, John Verdon - Opinião



David Gurney é um famoso e reformado inspector da polícia de Nova Iorque que se retirou para Walnut Crossing, no Delaware, com o intuito de aí passar o resto dos seus dias num sereno ambiente familiar. Um dia recebe uma chamada de um colega da faculdade do qual não tinha notícias há 20 anos. Mark Mellery recebeu uma estranha e ameaçadora missiva de alguém que parece saber tudo sobre si, o seu passado e, até, os seus pensamentos. Este facto irá desencadear um todo um conjunto de mistérios e mortes que arrancarão David à sua reforma e o atirarão no rasto e também na mira de um serial killer.

Pensa num Número é a obra de estreia de John Verdon e é absolutamente excepcional. No fim de ler este livro fantástico e saber que se trata apenas do primeiro do autor fico com um excepcional mau feitio para com outras obras que li e muitas outras que lerei.

Se existe alguém que consegue escrever um livro tão bom e com tanta qualidade na sua estreia, então não devo mesmo passar paninhos quentes em quem não é capaz.

Parece-me que aquela coisa do 99% de transpiração e só 1% de inspiração é uma bela merda. Isto ou se sabe escrever ou então não se sabe... e este senhor é um escritor fabuloso.

O livro não só aborda com mestria a parte policial/thriller, como domina as questões dos relacionamentos humanos e as questões familiares, como também caracteriza excepcionalmente as personagens, como tem descrições ricas e abundantes, como ainda consegue ter tudo isto numa escrita correcta, apropriada, diversificada, enfim, do melhor.

Quem se detiver na questão "Ah e tal que é um policial" e por causa disso se coibir de ler esta preciosidade não sabe o que perde e nesse caso digo que quem não quiser ler este livro não merece mesmo lê-lo e espero que tenha diarreia durante duas semanas.

Qual detective seguirei o rasto deixado por John Vernon e estou certo de que nos voltaremos a encontrar.

Boas leituras.

sábado, 13 de abril de 2013

Não sou um Serial Killer, Dan Wells - Opinião


Opinião:
John Cleaver é um jovem de quinze anos muito especial. É um sociopata especialista e conhecedor de serial killers. Adora ler tudo o que encontra sobre estes, conhece a sua forma de pensar, o seu modo de agir, aquilo que os leva a matar uma vez, depois outra, e outra e outra e mais outra...
John vive assombrado com a circunstância de inúmeras coincidências na sua vida o ligarem a um sem número de assassinos em série. Esta situação é mais grave porque Cleaver sente que reune todos os pressupostos para se tornar num monstro, sente dentro de si a vontade de libertar essa fúria assassina sequiosa por sangue e, sobretudo, medo, mas de algum modo percebe que tal não é correcto e como tal criou uma série de rotinas que impedem que a escalada de violência se inicie. A sua obsessão por serial killers ajudam-no, curiosamente, a que não se torne num deles dado que quanto melhor os conhecer mais facilmente poderá evitar tornar-se num. Em teoria, pelo menos...

John proíbe-se de inúmeras coisas que sente vontade de fazer, tudo para evitar que o monstro que está dentro de si se liberte de forma irrevogável. Nunca matou mas sabe que se tal acontecesse não seria capaz de parar.
Uma das coisas que mais acalma Cleaver é ajudar a sua mãe e a sua tia no negócio de família: uma casa mortuária.
A páginas tantas, mortos começam a chegar em abundância brutalmente assassinados... e John Cleaver tem de saber o que se está a passar.

Não Sou um Serial Killer é um livro muito interessante. Gostei particularmente da descrição da luta interior que o nosso jovem sofre para não se tornar naquilo que parece ser.
John, servindo-se da sua adormecida condição, terá um papel activo no desvendar (e quem sabe em algo mais) da onda de mortos que assola a terreola onde vive.

Para mim a obra vale mais pela descrição e enriquecimento deste denso e maravilhoso personagem que voltaremos a encontrar do que propriamente pelo mistério de saber quem comete os assassínios.

Wells tem uma escrita que me agradou.
Penso que o segundo livro desta série será bastante melhor e estou muito ansioso por poder lê-lo.

Boas leituras.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Pânico, Jeff Abbott - Opinião




Sinopse:
A vida corre bem a Evan Casher. Com 24 anos a sua carreira como realizador de documentários está em plena ascensão e a sua relação com a namorada Carrie não podia correr melhor. Depois de um telefonema urgente da mãe, Evan parte para Austin. Aí o inesperado acontece. Encontra a mãe brutalmente assassinada e escapa por pouco a uma tentativa de homicídio. Raptado do local do crime por um mercenário enigmático movido por razões desconhecidas, Evan vê-se confrontado com a dura realidade: toda a sua vida é uma mentira meticulosamente construída. A única esperança de sobrevivência de Evan é esconder a verdade sobre o passado da sua família…e confrontar uma organização criminosa poderosa e implacável capaz de tudo para manter os seus segredos bem enterrados. Com os assassinos da sua mãe cada vez mais perto e sem ninguém em quem confiar - nem a polícia, nem o pai, nem a namorada - embarca numa busca perigosa que o leva do Texas a Nova Orleães, Londres e Miami. Recheado de personagens inesquecíveis e de súbitas reviravoltas, Pânico é um thriller de fazer parar a respiração, sobre a determinação de um homem que quer reaver a sua vida roubada.



Opinião:
Pela primeira vez em muito tempo estou com bastante dificuldade em escrever uma opinião sobre um livro.
Sinto-me atado de pés e mãos mas gostaria muito de produzir a crítica neste momento embora com possibilidade de prejuízo na qualidade da mesma. Quando inicio um outro livro tenho mais dificuldade em opinar sobre o antecedente porque mergulho no novo e o resto "já era". A urgência em dar a opinião neste momento prende-se com o facto de que se agora, quando ainda não iniciei mais nenhum, já me é difícil, pior será depois. (e logo quero ler antes de ir dormir...)

Esta foi o meu primeiro contacto com a escrita de Abbott. A sinopse está muito bem conseguida e é clara q.b. Normalmente não gosto de utilizar sinopses como parte integrante da minha opinião mas neste caso abrirei uma excepção. A velocidade e intensidade do enredo não me permitem elaborar muito sobre as personagens pois incorreria no risco de revelar mais do que o necessário. No meu entender a acção faz os personagens e para versar sobre estes teria de dar a conhecer a tal.

Num ritmo alucinado Jeff relata-nos como Evan Casher, após encontrar morta a sua mãe, é embrenhado numa trama de proporções quase bíblicas. CIA, FBI, MI5, MI6, ramos secretos no interior destas organizações e até o KGB estarão, de alguma forma, no encalço deste realizador de documentários e restante família. Evan não pode confiar em ninguém e a sua vida está sempre presa por um fio.

No que diz respeito à escrita do autor devo dizer que a achei bastante interessante. O texto é directo, simples e pouco descritivo mas a vertiginosidade deste enredo é tal que, de facto, não haveria tempo a perder com minudências. Se alguém está a apontar uma arma à cabeça de outrem e se deseja fazer sentir "a cena", não me pareceria muito inteligente que o narrador se pusesse a discorrer sobre uma cagadela de mosca nos cortinados "marron". Abbot conseguiu fazer-me correr na leitura para ver se acompanhava a velocidade com que este a narrava e achei isso delicioso.

À medida que a acção vai decorrendo - e não posso explicar porquê - os personagens evoluem. Gostei desse facto. Normalmente prefiro personagens mordazes, inteligentes, com sentido de humor e um pouco cruéis. No início da narrativa o nosso herói era um pouco, como dizer, murcão (ler com sotaque do Norte) e fiquei bastante satisfeito que o gajo se fizesse homem e abrisse os olhos.

Outra das razões para a minha dificuldade em elaborar esta crítica deve-se à circunstância de estar cheio de sono. É que faltavam "poucas" páginas para o fim do livro e este género não quer saber dessas coisas, não é? Vai daí aqui o jovem foi dormir às tantas e agora está bêbedo de sono.

Resumindo e concluindo, adorei este thriller. É um excelente livro. Voltarei a este autor ainda este mês.
Recomendo sem reservas.

Boas leituras!

quinta-feira, 28 de março de 2013

Incendiário, Chris Cleave - Opinião



Sinopse:
Entre as vítimas de um atentado terrorista ocorrido durante um jogo de futebol em Londres, estão o marido e o filho da mulher que, destroçada, escreve agora uma carta a Osama bin Laden. Num tom simultaneamente emotivo, lúcido, magoado e chocantemente humorístico, ela tenta convencer Osama a abandonar a sua campanha de terror, revelando a infinita tristeza e o coração despedaçado de quem, no fundo, é apenas mais uma das suas vítimas. Mas o atentado é apenas o começo. Enquanto medidas de segurança transformam Londres num território virtualmente ocupado, a narradora também se encontra sob cerco. De início, ela recupera forças ajudando no esforço antiterrorista. Mas quando se envolve com um casal de classe alta, dá por si a ser gradualmente arrastada para uma teia psicológica de culpa, ambição e cinismo, que corrói a sua fé na sociedade que defende. E quando uma nova ameaça de bomba atira a cidade para mais uma vaga de pânico, ela vê-se forçada a actos de profundo desespero …Mas reside aí, talvez, a sua única hipótese de sobrevivência.
Um romance assombroso. O melhor romance que já se escreveu sobre o terrorismo.


Opinião:
Incendiário é um livro sobre vários temas. Com o terrorismo como pano de fundo, Cleave aborda as relações humanas, as clivagens sociais, a perda, o sexo, o sofrimento e a loucura que todos temos adormecida no nosso interior à espera de uma faísca que lhe sirva de ignição. É um romance é uma comédia pintada de negro sobre uma sociedade pressionada ao limite tendo o terror como alavanca.

Sendo este o segundo livro que leio do autor, trata-se do primeiro romance que ele escreveu.
A minha avaliação divide-se entre o muito bom e o mediano.

A obra está dividida em quatro partes: Primavera, Verão, Outono e Inverno. Na minha perspectiva o ambiente da narrativa é influenciado pela respectiva estação do ano, da mesma forma que as estações influenciam as pessoas e este é um livro que explora o comportamento humano. Cleave tem, aliás, formação em Psicologia Experimental e essa circunstância fornece-lhe atributos que o autor muito bem sabe explorar nos livros que escreve.

Pareceu-me que a primeira metade da obra está muito bem conseguida, Cleave caracteriza muito bem as personagens, atribui-lhes personalidade e coerência. Nem sempre consegui justificar, à luz da minha experiência, alguns comportamentos que li, mas o autor sabia o que queria e para onde me desejava levar. Lá fui com ele e gostei da viagem.

A segunda metade deste Incendiário, ou talvez tenha sido o último terço, não sei, não me pareceu tão bem esgalhado. A páginas tantas dei por mim a pensar:
- Foda-se mas o gajo sabe o que raio quer fazer desta história?!
E a resposta foi...  Hã... Deu-lhe um jeito.

Penso que, enquanto desenvolvia o enredo, o escritor foi grandioso, todavia quando o quis concluir fiquei com a sensação que não sabia muito bem o rumo que dar à história.

Analisar a leitura de uma perspectiva filosófica levar-me-ia a afirmar que a exploração da condição humana pressionada ao limite nos leva ao coiso e tal...
Como normalmente a base da minha análise se prende com o prazer que sinto, digo simplesmente que gostei muito de metade, assim-assim de um terço, e muito pouco de dois sextos.

Já agora, relativamente à tradução tenho algo a acrescentar.
O livro não tem uma vírgula. Uma só. A narradora, afirma por uma vez, na sua longa missiva a Osama Bin Laden que é este livro, que não sabe escrever muito bem. A Terence ela diz que não sabe usar as vírgulas, quando este acaba por lhe oferecer trabalho. Não conheço o texto original. Se por acaso a não utilização de vírgulas foi obra do autor devo aplaudir o trabalho de tradução por se manter fiel ao original.
Mas, porém, todavia, contudo... a leitura de um livro inteiro sem este tão "piqueno" mas fundamental sinal de pontuação torna-se um frete. Por inúmeras vezes tive de voltar atrás no texto para separar as orações e conseguir assimilar o conteúdo na íntegra.
Seja, pois, demasiado voluntarismo por parte de Cleave, seja demasiada parvalheira da senhora tradutora o certo é que não gostei.

Falando, neste caso escrevendo, para a senhora  Isabel Alves, a tal da tradução, aqui fica uma lição de português (e aproveite porque esta é de borla):

"Antes DE  MAIS devo dizer que V.Exa. erra DEMAIS".
Consegue perceber a diferença na utilização??

É que já chateia, mas chateia-me à brava, (e agora dirijo-me ao enxame todo) tantos livros em que as ilustríssimas intelectualidades que fazem as eloquentíssimas traduções... não sabem escrever Português.

Pronto. Já está.

Boas leituras.

domingo, 24 de março de 2013

Pensar Nos LIvros - Um blogue do outro mundo.



Quem o diz é a Rita do blogue A Magia dos Livros.

Rita, agradeço-te o facto de te teres lembrado deste humilde cantinho. Fico sempre feliz por saber que ainda há quem tenha paciência para me ler e, ainda por cima, considerar-me merecedor de um epíteto deste calibre.
Como sou um leitor assíduo do A Magia dos Livros, vi que lá tinha esta surpresa ainda antes de a Rita ma anunciar.
Assim, depois de um delicioso murro nas ventas da Olivia Darko, levei mais um tau-tau formidável! :)

As regras da atribuição deste selo são:

1-Colocá-lo no teu blog;
2- Referir o link de quem te enviou;
3- Dizer quais são as três coisas que mais gostas num livro e as três que mais odeias;
4- Passar o selo a 5 (ou mais blogs) que consideres de outro mundo.

Cumpridos os primeiros pontos e, porque estou bem disposto, vou fazer o impensável e responder com vontade e honestidade às devidas questões:

As três coisas que mais gosto num livro são:
1- Um enredo apaixonante, viciante, denso e com muito suspense. 
2- Linguagem variada e personagens inteligentes e bem elaborados.
3- Finais inesperados e nem sempre felizes.
3- Gosto que me façam sofrer.
:)

As três coisas que mais odeio são:
1- Erros gramaticais, de tradução e gralhas.
2- Inconsistências e incoerências no enredo.
3- Previsibilidade e sentimentalismo sem regra.

Agora falta passar o selo a 5 blogues.
Neste ponto estou a ficar cansado mas prossigo com humildade e altruísmo.

And the Oscar goes to...

Como hoje estamos numa de coisas inesperadas, informo desde já que não avisarei ninguém sobre o prémio que lhes atribuo... e sempre quero ver quem o vem buscar. Muhahahaha.
:)

Boas leituras!! 

O Filho de Ninguém, Olívia Darko - Opinião




Sinopse:
Justino viveu isolado do mundo os primeiros 26 anos da sua vida, tendo apenas a mãe por companhia.
Quando faz a transição para a vida em sociedade, os lapsos de memória que sempre o tinham acompanhado recomeçam, mais fortes e menos espaçados, e assaltam-no memórias de vivências que não tem a certeza de serem reais, mas que se tornam cada vez mais vívidas e perturbadoras.
A aproximação de uma mulher, Sofia, provoca um turbilhão de emoções contraditórias que o conduzem a um caminho sem retorno, e o único fim possível acaba por ser a descoberta da terrível verdade que estava enterrada no seu subconsciente.

Opinião:
Justino cresceu isolado do mundo apenas na companhia de sua mãe, Maria. Aos sete anos de idade foi inscrito na escola mas rápido a sua falta de competências sociais, de capacidade de socialização levaram-no a ser retirado do aterrador e incompreensível mundo exterior e a ser ensinado em casa, continuando desse modo a agudização do seu isolamento. Com o auxílio do Padre Carlos, que sempre esteve presente como única ajuda e companhia dos dois desterrados, Justino consegue um emprego a entregar encomendas e tudo parece estar, finalmente, a tomar o rumo da normalidade na vida do jovem.
Justino, que sempre sofreu de uns episódios de perda de memória, conhece Sofia, que está determinada em ajudá-lo a integrar-se no mundo. Os dois chegam a encontrar alguma cumplicidade mas há algo terrível prestes a acontecer...

A história inicia-se logo com um episódio sangrento que a autora nos leva a crer, de forma muito interessante, pensarmos saber o que se passou.
Existe uma personagem, Marta, que assombra a história de Justino e desta família.
Ao longo do decurso da narrativa fui levado a pensar que já sabia tudo sobre todos os personagens e que estava defronte um enredo previsível.
Confesso que uma parte do mistério, o papel do Padre Carlos na vida da nossa eremita família, consegui cedo adivinhar o porquê do seu modo de actuação. Mas estava longe de imaginar a surpresa que Olívia Darko me tinha preparado.

No final do livro existe uma carta enviada que revela o enredo na totalidade, dá-nos a conhecer tudo o que, na realidade se estava a passar com esta família, o que sucedeu com cada um dos personagens e é neste maravilhoso e muito interessante "twist" que toda a obra atinge um nível fabuloso.

Quando pensava vir aqui dar uma traulitada na previsibilidade do enredo, a autora enfiou-me um murro nas ventas e disse: "Toma! Achavas-te muito sabichão? Embrulha e põe um lacinho porque é para oferecer!"

Adorei o final do texto. Surpreendeu-me e, na minha opinião conferiu uma aura de controlo e capacidade criativa por parte da Olívia que me faz tirar-lhe o chapéu (o que nem é muito fácil porque não uso).
O meu único lamento é o pequeno tamanho do livro.

Estou bastante ansioso que a nossa autora nos regale com mais uma obra e só lhe peço que, desta feita, escreva um "calhamaço" grandioso, sangrento e que me faça sofrer ainda mais do que este, com ou sem reviravoltas.

Olívia, podes dar-me açoites destes sempre que queiras.

Recomendo.

Boas leituras!

sexta-feira, 22 de março de 2013

Segredos da Praia das Camarinhas, Clara Correia - Opinião




Sinopse:
"Em plena crise sentimental e de criatividade, um escritor instala-se, temporariamente, numa pequena vila piscatória, onde não tarda a iniciar o seu novo livro, enquanto se deixa cativar por uma bela rapariga e pela simplicidade da comunidade local. Mas, à medida que começa a desconfiar das aparências, está longe de imaginar que está prestes a viver a sua mais terrível experiência...”


Opinião:

Henrique Brancal, escritor de sucesso, está a atravessar um momento conturbado da sua existência. Após o recente divórcio e de todas as alterações na sua vida inerentes a essa circunstância, Henrique vê-se a braços com uma descomunal falta de inspiração, um, chamemos-lhe, síndrome da folha em branco, precisamente na altura em que mais precisava, já que o seu último livro, ao contrário dos restantes, não estava a ter grandes vendas.
Após um almoço com a sua ex-mulher, Sofia, mal sucedido quanto aos seus intentos de re-aproximação, e de um encontro pouco usual com um personagem que o fará repensar a sua existência, o nosso H. Brancal decide, por sugestão do amigo Daniel, mudar-se temporariamente para a Praia das Camarinhas, uma pobre aldeia piscatória de gente simples e simpática. Pelo menos parte dela...
Em pouco tempo o nosso escritor reencontra-se com a inspiração perdida mas, simultaneamente, enreda-se em segredos obscuros e de consequências potencialmente perigosas (daquelas que fazem doer, não sei se estão a ver o filme).

Este romance-thriller, assim catalogado pela própria autora, inicia-se num tom cândido, polido e elegante, numa linguagem cuidada, rica, diversificada e, sem nunca perder a tal elegância, paulatinamente somos embrenhados nos Segredos mais ou menos macabros desta Praia das Camarinhas.

Quanto mais avançava na leitura mais célere era a acção e dei por mim a devorar página atrás de página e a atropelar palavras desalmadamente porque queria saber o que estaria para acontecer.
Cheguei mesmo a sentir-me fisicamente esgotado pela leitura sôfrega que levei a cabo e acabei por dizer um certo número de palavrões por tanto gostar do livro. Assim um "prostituta que deu à luz!" ou um "estas fezes são mesmo boas, pénis!".  :)

Existiu, aqui e ali, um ou outro pormenor que não foi muito do meu agrado como umas "adivinhações" do narrador ao estilo "mal podia ele imaginar que em breve se estaria a esbardalhar todo no areal" (frase não presente na obra...). Estou certo que a ideia seria adensar a curiosidade do leitor mas como a atmosfera de suspense estava, para mim, muito bem conseguida, este tipo de revelações exerceu em mim o efeito contrário ao eventualmente desejado. São, todavia, questões de pormenor e que não influem na opinião geral que tenho sobre a enorme qualidade da obra.

Em suma, posso afirmar, adorei a leitura deste pequeno mas muito interessante romace-thriller.
Clara Correia encontra-se a elaborar o seu próximo livro e mal posso esperar pela sua publicação.
Esta senhora sabe escrever, meus amigos.
Recomendo sem reservas.

Boas leituras!