Sinopse:
Acontecimentos bizarros, nas profundezas do oceano, perturbam os cientistas. No litoral do Peru, um pescador é atacado por um cardume.
Na costa do Canadá, baleias atacam embarcações turísticas. Furacões e tsunamis matam todos à sua passagem.
É o contra-ataque de um sistema que foi equilibrado antes de ser dilapidado pela intervenção humana. Ou seja: a teoria de que a actividade humana criou situações que afectam um equilíbrio delicado, que até agora abrigou formas de vida e ecossistemas complexos.
O mar é o instrumento de vingança.
O Quinto Dia revela a insurreição da natureza contra o homem, num cenário global.
Com o mundo à beira do abismo, uma verdade terrível é descoberta.
O mais assustador é que essa verdade que Schätzing aqui descreve é, não apenas possível, mas bastante provável.
Opinião:
O Quinto Dia do alemão Frank Schätzing é uma obra impressionante. Grande em mais do que um sentido.
Estas 912 páginas, estas 1541g de livro traduziram-se - para além de uma tendinite - numa agradável surpresa. Estamos perante um romance que pode ter uma leitura superficial - comercial - para a qual está bem apetrechado. Tem humor, bastante acção, - o seu QB de tiros e pancadaria - romance, bons e vilões, ameaças globais, catástrofes naturais, etc.
Por outro lado O Quinto Dia revelou-se uma obra que pode ser lida com outros olhos e também nesse campo apresenta argumentos com substância suficiente para promover a reflexão, a dúvida, a indagação.
Terminei o livro com a sensação de que se vale mais enquanto obra comparativamente com a ideia que dele fiz no início da sua leitura.
Este romance vai muito para além das alterações climáticas e de catástrofes naturais, sejam elas provocadas pela acção humana de forma directa ou não. Reflecte-se o nosso papel no planeta e a consciência que temos do nosso lugar, do nosso real valor enquanto espécie no mundo que habitamos.
Através da presunção, vaidade e imbecilidade dos Norte Americanos, por exemplo, aborda-se a questão de todas as culturas que se consideram "eleitos" e por esse motivo se sentem plenamente justificados em fazer tudo o que lhes parece ser conveniente. Aos olhos dessa convicção tudo o resto se torna insignificante, até a vida do Homem.
O nosso egocentrismo. Individual e colectivo.
O Quinto Dia tropeça nas reacções humanas ao desconhecido. As possíveis respostas da cultura ocidental - e cristã - face à constatação de que no mundo que supostamente lhes é pertença por divino direito se descobre uma forma de inteligência ancestral e infinitamente superior, com uma organização evolutiva ímpar que relega a raça eleita à sua humilde condição de mamífero recém-chegado a um planeta - com tudo - que o precede.
A páginas tantas - muitas - faz-se quase um ensaio sobre a resposta das religiões - principalmente das três "gladiadoras" monoteístas à existência dessa inteligência ancestral e superior.
Quais as implicações na sua doutrina?
Quais respostas seriam dadas?
Na obra de Shätzing pondera-se sobre a capacidade de uma inteligência superior entender com algum grau de profundidade uma outra que lhe seja infimamente menor - e vice-versa.
Indaga-se pela definição de inteligência e chega-se à extraordinária dificuldade de a definir correctamente.
Tudo isto num romance que, ao contrário do que advoga a sinopse, toca muito mais do que apenas "o fim do mundo".
Leiam. Não vos disse se o mundo acabou ou não.
Recomendo, apesar do braço que segura o livro ficar inutilizado durante alguns dias devido ao esforço...
Decidi que não mais darei pontuações aos livros que leio.
A partir de certa altura - esta - começa a ser difícil estabelecer considerações quantitativas. Consigo, todavia, ter a noção de ter gostado de uma obra um pouco mais ou um pouco menos do que outra. Nesse sentido, a lista de livros lidos encontra-se pela ordem de preferência - do que mais gostei (no topo), para o que menos me cativou (no fundo). Assim permanecerá.
Boas leituras.
P.S. Afinal decidi entregar-me de seguida ao Maugham... ;)
Obrigado pelos argumentos.
























